Alopecia e outros disturbios capilares

Nas minhas tardes à toa, porque tenho mais 15 dias pra ficar 24 horas à toa, tenho assistido muito TV.
Vejo FoxCrime e AXN até as 17:30. Quando passam episósidos reprisados, eu assisto o VH1, que é muito melhor que MTV. É um canal da MTV, só que este, só passam clips.

Mas por que até as 17:30? Porque eu não posso perder Morangos. É uma novela teen da Tvi, estilo Malhação, mas em vez do cenário ser uma escola particular para grã-finos, é uma escola pública comum em Lisboa. As pessoas não são milionárias, não vivem num mundo surreal onde tudo é perfeito, mostra os problemas dos jovens e a dificuldade de falar sobre alguns assuntos (ou algumas “cenas”, como os jovens falam).

Dentre os problemas que cada personagem enfrenta normalmente em qualquer novela (alcoolismo, dificuldade financeira, divórcio, amigos, inimigos, traição, violência doméstica) esta versão de Morangos com Açúcar fala de algo que eu nunca tinha visto ser abordado: alopecia.

Basicamente, é uma doença que provoca a queda de cabelo e pode deixar a pessoa com falhas no couro cabeludo ou até mesmo totalmente careca.
A causa disso? Segundo a minha novelinha vespertina, a Catarina (personagem que sofre disso) passou a ter queda de cabelo após tentarem violá-la. Depois de muito drama, a menina resolveu contar para a mãe (não que foi atacada, mas que estava com queda de cabelo) e foram a um médico (não disseram a especialidade – falha da direção da novela) e este afirmou não saber a causa, mas com certeza seria fundo emocional, e da mesma forma que surgiu, poderá desaparecer. Passou pra Catarina um tratamento à base de corticóides e outras substâncias, e que além de caro, teria efeitos secundários (colaterais) bem desagradáveis: enjôo, cansaço, mudança repentina de humor, indisposição.
Mesmo ouvindo do médico que era de fundo emocional, a mãe da Catarina não se interessou em conversar com a filha, saber o que está acontecendo. A única preocupação dela era a filha não ficar careca, participar de um comercial de shampoo… Ah! A mãe da Catarina é dona de um salão de beleza. Porque uma mãe se preocuparia tanto com a aparência da filha e não procuraria saber se há algo no fundo que a estava deixando preocupada/estressada? Minha mãe sabe se eu estou bem ou não através de um simples e-mail, pessoalmente então… ela nem precisa perguntar pra saber o que está acontecendo. Enfim… não duvido nada que existam muitas mães como a minha, mas também acredito que existam  muitas mães como a da Catarina.
Muitos capítulos depois, a Catarina contou à mãe que foi atacada. Eu achei que ia acabar com a queda de cabelo, mas não. No capítulo de hoje, dia 16/01/09, a Catarina já tinha interrompido o tratamento com corticóides e durante a aula de vôlei tufos e tufos de cabelo caíram.
Eu não sei se vão deixar a atriz careca, ou se vão curá-la de repente.
Curiosamente, no programa da Tyra Banks, houve uma matéria sobre alopecia. Três meninas, com idade em torno de 20 anos, totalmente carecas, sem pelo algum na face ou nos braços, foram ao programa pra falar sobre a doença, como surgiu, o preconceito que sofreram, o que foi feito e tal.

Na ocasião, foi dito que a doença é auto-imune, e que o tratamento poderia não resultar.
Pesquisando na melhor enciclopédia que inventaram, a internet, vi que falam muito de uma tal de Alopecia Aerata. Segue o que descobri num site chamado “saúde em movimento”:

Este tipo de alopecia pode ser causada por distúrbios hormonais (hipo ou hipertireoidismo) ou nutricionais e quando corrigidos há o crescimento do cabelo. Pode ainda ser causada por tração excessiva dos cabelos (tranças muito puxadas), processo de envelhecimento, tinturas em excesso, alisamentos e óleos, infecção do couro cabeludo por fungos, nevus ou cicatrizes cirúrgicas.

As causas inespecíficas da alopecia podem ser distúrbios hormonais, de imunológicos, psicoemocionais ou ainda a somatória de todos eles, nestes caso não há tratamento definitivo, os tratamentos podem ocasionar a repilação no entanto ao parar o tratamento a queda retorna, sem contar que o tratamento existente nestes casos é com corticóides via oral ou injetável e que podem causar vários efeitos colaterais indesejáveis principalmente quando o tratamento leva muito tempo ou é repetido várias vezes.

A corticoidoterapia pode ser associada a tratamento com medicações tópicas ou a outros tipo de tratamentos como associação a aplicações de extrato de placenta e ácido transretinóico.

Este tipo de alopecia atinge os indivíduos independente da faixa etária, sexo ou condição socioeconômica e gozam de uma boa saúde, o que não os impede de ter uma vida normal.

A Wikipedia elenca uma série de causas para esta doença:

  • Congênita: ligada a fatores hereditários, com ausência total ou parcial desde o nascimento
  • Traumática: que tem origem em contusões ou lesões do couro cabeludo
  • Neurótica: também chamada de tricotilomania, onde o indivíduo “arranca” mechas de cabelos conscientemente ou não.
  • Secundária: que aparece após algum distúrbio interno dos órgãos, doenças, infecções, medicamentos como a quimioterapia.
  • Seborréica: a dermatite seborrêica do couro cabeludo é um distúrbio muito comum, onde pode ser observado escamação, coceira e eritema. Contudo, é uma doença que raramente determina uma redução significativa dos cabelos.
  • Eflúvio: também chamada de deflúvio, é a causa mais comum de perda de cabelos entre as mulheres. Consiste na quebra harmoniosa do ciclo de vida capilar, tendo várias causas. Normalmente, responde bem aos tratamentos médicos.
  • Androgenético: é a causa mais frequente de alopecia entre homens, mas também afeta mulheres. Começa a se manifestar entre a puberdade e vida adulta, tendo vários graus. Como o próprio nome diz, é uma associação de fatores genéticos com o hormônio sexual masculino, a testosterona.
  • Emocional: relacionada especialmente a fatores emocionais, a alopecia areata é caracterizada pela perda rápida, parcial ou total de pêlos em uma ou mais áreas do couro cabeludo ou ainda em áreas como barba, sobrancelhas, púbis, etc. O renascimento dos pêlos pode ocorrer espontaneamente em alguns meses. Em alguns casos a doença progride, podendo atingir todo o couro cabeludo (alopecia total) ou todo o corpo (alopecia universal).

Olha… fiquei preocupada. Eu tenho tricotilomania. É que meu cabelo tem uns fios mais espessos e alguns têm umas partes mais grossas, às vezes enroladinha, e eu fico passando os dedos, sinto que esse fio não é bem como os demais e arranco. Eu já estou com uma “falha” na cabeça, na parte de trás, mais em cima.  Pode ser um “rodamoinho” que deixa aparecer mais o couro cabeludo, mas eu sei que ali é o foco dos fios esquisitos. E eu vou sempre ali. Não sei como conter isso. Sei que a minha tricotilomania me trouxe dois problemas: oleosidade excessiva e dor na articulação do braço com o antebraço. Não é dor de cotovelo!  É dor na articulação. É só por repetir inúmeras vezes o mesmo movimento, pra passar os dedos entre os fios até encontrar um diferente e… arrancá-lo.

Segundo alguns sites na internet, a tricotilomania está associada a um TOC (ou DOC, em Portugal), ansiedade, dependência química ou distúrbio genético.
Analisando o meu caso:
– sim, sou ansiosa, mas eu prefiro comer chocolates, ou cozinhar algo bem gostoso, suculento e nada light,  e já percebi que eu arranco meus fios quando estou extramamente concentrada ou quando estou totalmente relaxada, vendo tv ou lendo um livro;
– não, eu não uso drogas, não fumo e bebo socialmente. Já notei que quando bebo a última coisa que me lembro é que tenho cabelo, logo, minhas mãos ficam longe da minha cabeça
– não, não sou depressiva, não preciso arrancar meus cabelos pra me animar
– não, ninguém na minha família sofre de algo parecido.
Concluí com isso que cada um arranca seus cabelos por um motivo bem particular e o meu perfil não tem nada a ver com que já li na internet.
Ah! Achei um questionário basic pra você identificar se sofre do mesmo problema que eu. Abaixo das perguntas, seguem as minhas respostas, assim você não fica tão acanhado com suas respostas vendo que alguém é tão bizarro quanto eu:

1) Você tem costume de ficar analisando seus cabelos com as pontas dos dedos, enrolando-os, e puxando-os?
R.: Of course! Justamente por isso que eu os arranco! Eu vejo que era pra ter nascido em outra cabeça, e não na minha, e tiro, dando lugar para um pêlo bom pra nascer ali.

 2) Você faz isso enquanto lê, assiste TV, dirige, está no telefone, ou antes de adormecer?
R.: Somente enquanto leio, assisto TV, estou ao telefone e antes de dormir. Não faço enquanto dirijo porque… eu não sei dirigir. Quando eu aprender, eu volto aqui e digo se farei ou não. 

3) Você tem a sensação de ansiedade e aumento de tensão antes de arrancar seus cabelos?
R.: Mais ou menos. Eu fico com medo de perder o fio entre os dedos, e demora séculos pra achar um fio tão ruim e esquisito de novo, aí eu largo tudo que estou fazendo, libero as duas mãos (pois geralmente eu ocupo somente a mão esquerda com essa função) e cato o fio, tiro de perto os outros fios bons e arranco o ruim pela raiz. Depois eu fico alisando na mão, analisando cada curvinha dele, a cor, se ainda tá com coloração, se a raiz está na cor normal do meu cabelo e depois eu jogo fora. Comer nem pensar! Com tanta coisa boa, vou comer logo cabelo? Eu hein…

 4) Você sente alivio após arrancar seus cabelos, seguido de culpa por tê-lo feito?
R.: Não e não. Eu apenas arranco, como se fosse tirar pó dos móveis. Aquilo não pertence àquele lugar, então eu tiro dali e pronto. Culpa? De quê? Eu não me sinto culpada depois que limpo meus móveis, ou arrumo a casa, ou lavo a louça.  

5) Você evita atividades como natação?
R.: Não somente a natação, mas como a caminhada, a corrida, o ciclismo, a aeróbica ou qualquer outra coisa que eu tenha que fazer fora do sofá. A única atividade física que eu gosto de fazer é dançar. Depois de casada, a vida noturna reduz quase a zero, então eu não tenho dançado muito, a não ser quando temos alguma festa pra ir.

Além da tricotilomania (concluí sofrer desse mal desde 2004, quando dei por mim que arrancava os cabelos), em 2005, eu estava brincando de fuxicar meus cabelos, de penteá-los de um lado para o outro, notei que na parte onde eu jogo o cabelo pro lado esquerdo tinha uma parte sem cabelo. Era um pedaço não muito grande, mas não tinha nenhum pelinho sequer.  Me disseram no trabalho que isso era sério, que tinha que procurar um médico e tal. Eu recorrei ao Dr. Google. Não vi nada demais, e achando que era uma simples micose, passei Vodol (loção à base de nitrato de niconazol) e relaxei. Algumas semanas depois, começou a crescer pêlo. Em alguns meses já estava normal. O pêlo era bem fininho, parecia cabelo de neném.

Antes de casar, fiz uns high-lights no cabelo e o profissional que estava tratando da minha juba me perguntou se eu tinha cortado uma mecha. Eu disse que não, então ele me mostrou que havia um pedaço, de uns 3cm de diâmetro, com mais ou menos 10cm de comprimento, na parte de trás da cabeça. Meu cabelo estava bem mais comprido que isso, por isso ele estranhou. Imaginei que tinha acontecido o mesmo com o outro pedacinho menor que apareceu mais na frente, só que neste, eu não passei Vodol. Voltou sozinho.

Se eu tive uma alopecia tópica, o diagnóstico clínico diria que sim, mas pra mim era uma simples queda de cabelo, pois voltou. Não lembro de ter sofrido nenhuma pressão ou problema psicológico, que tenha me aterrorizado. Tirando os meus nervos semanas antes do meu casamento, realmente eu não lembro de ter passado por nada que me perturbasse tanto a ponto de me trazer um problema capilar. Se nervosismo, pressão psicológica ou stress fossem necessários pra me causar novamente perda de cabelo ou alopecia, eu teria casado careca.
Mesmo tendo mudado de país, estou longe da minha família há dois meses e meio, longe dos meus cachorrinhos, numa nova vida, na espera pra solicitar minha residência, num frio do caraças, já examinei minhas madeixas e até agora não achei nenhuma falha capilar. Só me apareceu até agora muita seborréia, por conta da água quente que sou obrigada a usar pra tomar banho, porque, a esta altura, tomar banho frio, só se eu fosse insana…

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3 thoughts on “Alopecia e outros disturbios capilares

  1. Estou a responder tarde mas estou aqui para lhe dizer que eu sofro de alopecia e que se deve aos meus estados emocionais. Desde que pequena que frequento médicos e mudanças extremas na minha vida (como morte de familiares) revelaram-se na minha queda de cabelo.

    Neste momento vou para a faculdade e tenho uma pelada há mais de 9 meses onde não cresce o cabelo. Estou a fazer um tratamento com um shampoo que ainda não deu resultados. Só espero não ter de me ir tratar com injecções. Rs

  2. sofro de queda de cabelo desde os quinze anos e agora estou com 42 e na nuca nao tenho mais cabelo e possuo falhas na cabeça, sem contar que nao possuo pelos pelo corpo, gostaria de saber se ainda tem cura e qual e tipo de queda de cabelo eu me enquadro?

  3. Pingback: Cheguei às 38. Falta muito??? « Mundança = mundo, andança, mudança

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