A verdade sobre a amamentação – Parte III

No seguimento dos meus posts anteriores, vamos seguir com esse assunto polémico e importante.

Não me lembrei de mencionar nos dois posts anteriores que não existe lei no mundo obrigando uma mulher a amamentar o seu filho. É uma escolha da mãe. Logicamente que as vantagens do leite materno são imensas, mas existem muitas crianças que foram alimentadas desde sempre com leite artificial e viveram muito bem.

Antes vou apenas complementar um detalhe que vi no livro da enfermeira Helena Saraiva: amamentar reduz (na criança) o risco de desenvolver obesidade na infância e adolescência.

Pesquisei sobre isso e encontrei:

Isso não quer dizer que seu filho vai ter obesidade mórbida se escolher amamentá-lo com leite artificial exclusivamente, mas se assim o fizer, tenha atenção à quantidade de alimento que ele ingere e a velocidade que ingere.

O terceiro ponto que eu gostaria de abordar é sobre a alimentação da mãe durante o período de amamentação.

Não tem segredo. Tem apenas cautela.

Quero desmistificar 4 coisas:

  1. Alimentos proibidos
  2. Alimentos a evitar
  3. Alimentos que aumentam a produção de leite
  4. Alimentos que “estragam” o leite

 1. Alimentos proibidos

  • Álcool.

Apenas isso é proibido durante a amamentação.

A explicação é simples. De acordo com o “Grande Livro da Grávida” O álcool é metabolizado pelo fígado. Num adulto, a velocidade média de metabolização do álcool é de 0,1g/litro por hora. Até os 15 anos de idade, o ser humano não tem essa capacidade.

Quando a mãe ingere álcool, a substância entra na corrente sanguínea e é transmitida ao bebê pelo leite 10min após a ingestão. “Ah, então eu posso beber um choppinho no jantar, não dou peito e no dia seguinte de manhã já estou livre do álcool?”, sinceramente eu não sei dizer. Mas de pensar que eu tenho em média 6 a 12 meses de abstinência de álcool para garantir que meu filho não vai ficar dopado e irá desenvolver bem seu organismo sem ter problemas no futuro… já perdi a vontade de beber. São no máximo 12 meses de abstinência para a amamentação, e a saúde do meu filho é mais importante que um choppinho…

O álcool é causador de alterações da memória, do raciocínio e da capacidade de concentração das crianças, havendo também indícios de complicações tardias como doenças psiquiátricas e dependência química.

2. Alimentos a evitar

  • Cafeína em excesso – a não ser que você queria um bebê que seja tão agitado que não consiga dormir 1h ininterrupta (e nem você).
  • Alimentos muito condimentados, pelo menos no início da vida do bebê. O sistema digestivo dele é tão sensível, não tem flora intestinal formada (e essa se forma lá pro 4º mês de vida), qualquer coisa que você ingira vai alguma coisa para o leite, e pode ser que ele não reaja muito bem. Não quer dizer que ele vai ter um treco se você comer um caruru, por exemplo. Vai ter no máximo uma diarréia até limpar o intestino, depois volta ao normal. Na pior das hipóteses vai desenvolver uma alergia, que pode ser passageira, ou então vai fazer parte dele pelo resto da vida.
  • A ser evitado nas primeiras semanas de vida do bebê (apenas por precaução) são os potenciais alérgenos: frutos secos, frutos vermelhos, shoyo, carne de porco, frutos do mar (mariscos), chocolate, alimentos com corantes artificiais.

Vá introduzindo os alimentos aos poucos, principalmente os potenciais alérgenos. Experimente um num dia, e veja se dá reação alérgica no seu bebê. Se ele ficar com bolinhas ou manchas no corpo, ou se tiver alguma alteração na digestão, suspenda o alimento, veja se nos dois dias seguintes ele melhora. Se melhorar, daqui a umas 3 semanas, tente de novo. Se voltar a ter reação alérgica, suspenda o tal alimento, fale com o pediatra e pondere fazer um teste alérgico no seu filho no futuro.

Na minha experiência, falta apenas inserir os frutos do mar. Todos os outros já foram introduzidos, um de cada vez, com muito sucesso.

Os alimentos que estávamos restritas durante a gravidez podem voltar ao cardápio: carne vermelha mal passada, carnes cruas (carpaccio, sashimi), saladas e folhas cruas, queijos não pasteurizados, ovo cru ou mal cozido, e as outras coisas que poderiam nos trazer toxoplasmose, brucelose, listeriose e outras “oses” que afetariam o feto.

Para que seu filho tenha uma aceitação boa a alimentos quando começar com os sólidos, coma de tudo! Até aquilo que não gosta muito, coma uma vez ou outra, pra que ele já esteja habituado à substância quando desmamar.

Não sou muito fã de fruta, mas pra ajudá-lo na digestão tenho feito esse esforço e tenho comido ameixa, nectarina… Gosto de peixe, mas prefiro carne, entretanto, peixe é melhor para o desenvolvimento da criança, então, dá-lhe peixe!! Se eu comer bastante peixe, ele vai estar habituado ao sabor quando começar com comidinha, não vai fazer cara feia.

Coma também todos os legumes e verduras, mesmo os que você não curte muito, só para trazer o sabor ao seu filhote. Principalmente os que dão vitaminas em excesso: inhame, beterraba, batata baroa (aqui não tem e eu amooooo), cenoura (betacaroteno e vitamina A), brócolis, quiabo, vagem, etc.

Pra ajudá-lo a dormir, suco de maracujá. Quer melhor forma de dar calmante para o seu filho? Resposta: aconchego do colinho da mamãe, peito e leite materno com passiflora hehehe

Também gosto muito de chá gelado. Chá mate (que aqui não tem, preciso ir numa loja brasileira pra encontrar), lipton iced tea de limão e o chá verde com citrinos da lipton. O problema é que todos eles têm cafeína (menos que o café, é claro), e a quantidade que eu gostaria de ingerir deixaria meu filho ligadão 24h, então eu tenho evitado o abuso. Dois copos de chá gelado (qualquer um destes) não vai afetar a minha rotina ou a dele, mas estebeleci um copo como limite, sendo o segundo copo o abuso.

3. Alimentos que aumentam a produção de leite

  • Água.

É isso mesmo. Não se deixe enganar. Canjica, bacalhau, água da cozedura do arroz, tomar leite de vaca em excesso, malzebier são apenas crendices.

A malzebier então é a pior de todas as crendices, porque tem álcool e falamos sobre isso no item 1.

Vamos pensar assim: a vaca toma leite de algum animal pra produzir mais leite? Não, né?
Não nos comparando exatamente com uma vaca, mas apenas no processo de produção de leite a partir de um corpo de uma nutriz. O nosso organismo em tudo o que precisa para produzir leite, cabe a nós ingerir bastante líquido para que essa produção seja farta.

4. Alimentos que “estragam” o leite

Todo mundo já ouviu dizer alguma coisa do tipo:

- Não pode comer alho ou cebola porque vai amargar o leite e a criança vai rejeitar
– Não pode comer (ou tomar suco de) laranja ou limão porque vai deixar o leite ácido
– Não pode comer carne de porco porque vai secar o leite
– Refrigerantes, feijão, repolho, brócolis dão gases no bebê

Esqueça. Não é nada disso. O bebê pode ter gases se vc se alimentar à base de canja de galinha e frango grelhado, 100% do tempo. Refrigerante pode dar gases na mãe, e seu leite não vai sair borbulhando quando o bebê mamar.

O organismo do bebê é muito sensível e muitos alimentos poderão reagir mal nele, mas isso acontecerá de qualquer jeito durante os 3 ou 4 primeiros meses de vida. Se sentir que seu filho reage mal a um alimento, suspenda-o por um tempo, seja esse alimento leite de vaca, cenoura, batata, brócolis, chocolate, carne, frango, peixe, etc… O que você tem que fazer é maneirar na quantidade e na qualidade dos alimentos, diversificando muito.

Por exemplo: almoçou um peixinho grelhado acompanhado de arroz com brócolis. Não coma uma mousse de chocolate de sobremesa… Prefira um sorvete de creme. E ao jantar, não vá comer feijão. Coma uma massinha bolonhesa, por exemplo.

Eu amo cebola e alho. Tudo o que eu cozinho tem que ser regado em cebola e alho. Meu filho nunca reclamou do meu leite. Isso é porque eu sempre comi normalmente, dentro dos alimentos permitidos durante a gravidez, e ele já tinha se habituado ao “sabor” lá dentro do meu útero. Agora aqui fora ele não estranha. Pode até ser que mude o paladar, mas como ele já sabe o gosto que tem, não reclama.

Frutas cítricas também não vão azedar o leite. Eu tomo suco de laranja de manhã e a lógica é a mesma que o alho e a cebola.

Então, depois dos outros posts sobre amamentação e destes 4 tópicos podemos concluir que: existe muita bobagem que nos é dita, muita crendice que nos incutem, e muita pressão nos é colocada.

A amamentação tem que ser prazerosa, nada estressante. Se algo está fazendo com que o seu momento de amamentar seja um tormento, stop!! Respira fundo, foque no seu bebê e faça o que você consegue.

Eu já consegui reduzir muito a mamadeira dele. E agora vou tentar fazer bomba pra ter pelo menos uma mamadeira de leite meu por dia.

Na próxima consulta do meu filhote, se a pediatra brigar comigo por eu não estar dando 100% peito pra ele, por mais que eu tenha gostado dela, mudo de pediatra.

Sou uma super mãe, me dedico integralmente ao meu filho, acordo de noite umas 4 vezes pra conferir se ele está dormindo bem, se tá com frio, calor, etc. Coloco ele sempre em 1º lugar. Não venham me dizer que eu tenho que fazer mais do que eu já faço só porque é conveniente que assim seja.

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14 thoughts on “A verdade sobre a amamentação – Parte III

  1. Obrigada pelo seu post, muito útil e cheio de bom senso – o que uma mama de primeira viagem precisa :) tudo de bom, Cláudia Salgado Lisboa, mae do Rafael há 6 dias, os melhores da minha Vida!

  2. Pingback: A verdade sobre a amamentação – Parte II | Mundança = mundo, andança, mudança

  3. Olá, Priscila!
    Nao precisa ser tão radical. É até melhor que você coma de tudo mesmo (inclusive coisas que vc não goste mas que sejam saudáveis) para acostumar o paladar do seu bebê.
    Não sou muito chegada a fruta, mas comi na gravidez e pode até ser coincidência, mas meu filho não recusa nada :)

  4. amei suas dicas tenho uma bebe de 2 meses..e fiquei tomando canja de galinha minha dieta inteira e ela teve colicas do mesmo jeito…to doida pra tomar suco de laranja e limao..me ajudou muito bju..

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