A verdade sobre a amamentação – Parte II

Meu último post foi um desabafo sobre a pressão que nós mães sofremos para amamentar exclusivamente com LM (leite materno) os nossos filhos, até os 6 meses de vida, e complementarmente até 1 ano de idade.

Se fosse realmente possível, seria o melhor dos mundos, mas a maioria das mães não conseguem seguir essa orientação tão à risca. Não por não querer, mas por não produzir leite o suficiente (meu caso) para suprir a fome do bebê e por ter que voltar ao trabalho depois da licença (e nos países de Lingua Portuguesa eu tenho a certeza que na legislação vigente o retorno ao trabalho acontece antes dos 6 meses de vida da criança) – que também é o meu caso.

Também disse anteriormente que a pediatra do meu Tuco (forma carinhosa de chamar o meu Arthur) pediu para tornar a amamentação dele exclusiva em LM, e que eu me comprometi em fazer o possível para conseguir alcançar esse objetivo.

Mas quem vê assim de fora acha que é a coisa mais fácil amamentar. É pôr o peito pra fora do sutiã, e a criança vai ali e pronto. Mama e fim de papo. Wrong!!!!

Já li alguns livros e achei que fosse tirar de letra. Dos que li, o que melhor me ensinou alguma coisa foi o “Grande Livro da Grávida“, da obstetra tuga Dra. Marcela Forjaz.
Além desse, estou ainda consultando de vez em quando “A vida do bebê“, do brasileiro Rinaldo Delamare; e terminei ontem o “Aleitamento Materno“, da enfermeira lusa Helena Saraiva.

Tenho muita teoria, mas a prática é outra história.

Eu sofri pra conseguir fazer meu filho pegar no meu peito. O parto foi complicado, ele ficou internado, só consegui tentar amamentá-lo no dia que ele teve alta e isso porque a enfermeira que tava lá viu minha carinha de cachorro abandonado e me ajudou, me ensinou a dar de mamar.

Para dar certo, tem que ter vontade. E paciência. Muita paciência.
Lógico que uma está diretamente ligada a outra. Se você não tem muita vontade de amamentar, não vai ter paciência.

Deixa eu contar um caso real. Na maternidade, eu fiquei num quarto com mais 7 leitos, e havia uma mulher que tinha tido uma menina. Ela não comia nada (porque eu acho que a família dela levava comida pra ela), não tomava banho (acho que era porquinha mesmo) e não saía do leito. Ficava ali deitada o tempo todo, e a criança dela chorava muito. As enfermeiras de vez em quando apareciam lá pra ver como estavam as recém chegadas e pra avaliar as que estavam de saída (tempo médio de internamento: 72h). Quando foi ver a filha da dita cuja, a enfermeira perguntou: você está amamentando?
A mulher responde: eu dou o leite e depois eu tentar dar o peito, mas ela não quer, não pega de jeito nenhum.
A enfermeira responde: mas não pode ser. O leite artificial é complementar ao teu leite. Se depois de mamar ela continuar com fome, dá-lhe a mamadeira. Você quer amamentar a sua filha ou não?
A mulher: Sim, quero…
Enfermeira: Então acabou-se o leite artificial. Se depois de dar o peito ela continuar com fome, você nos chame.
A mulher ficou com uma cara péssima, e a enfermeira perguntou de novo se ela queria amamentar.
Então a mulher responde: “Eu tenho que pensar sobre isso…”
E a resposta da enfermeira: “Então você pensa, mas enquanto você pensa, estou retirando o leite artificial”.

Deus que me perdoe, eu não devo julgar, mas eu acho que se a mulher não quer amamentar, que não se faça de rogada. Diz logo e ponto final. Agora… ficar fazendo de conta que vai dar peito porque é politicamente correto e não ter a mínima vontade, me poupe!! Ou melhor, poupe seu filho!!!

Quem me dera ter meu filho comigo para colocá-lo ao peito nos primeiros 30min pós parto!! Eu ansiava por esse momento e só consegui no dia seguinte à minha alta.
Na verdade só peguei no meu filho no segundo dia de vida dele… mas isso fica pra outro post.

Compilando as informações úteis que extraí dos 3 livros que citei acima, sendo que o que tem mais informação é o Grande Livro da Grávida, posso dizer que:

  • Amamentar traz uma realização pessoal indescritível;
  • Cria um elo entre mãe e filho que eu não fazia ideia que poderia existir;
  • Precisa de dedicação e paciência para ter sucesso;
  • Quanto mais vezes o bebê mama, mais leite é produzido;
  • Pode dar LM ao bebê quantas vezes ele quiser, sem ter a obrigatoriedade de ter um intervalo X para dar novamente.
  • A digestão do bebê é bem melhor com LM;
  • Se quiser aumentar a produção de leite, amamente ou extraia com bomba num intervalo de 3 ou 4 horas;
  • Existem algumas posições para amamentar, mas que apenas duas são práticas: a tradicional que seguramos o bebê com o braço, apoiado no colo; e deitada de lado (que aproveitamos para tirar um cochilo e descansar um pouco);
  • Não podemos largar o peito na cara da criança, porque o peito fica pesado e temos que facilitar a vida do bebê e não causar um deslocamento do maxilar;
  • Pode-se dar de mamar um peito e depois o outro na mesma mamada;
  • Deve-se primeiro esvaziar um peito para depois dar o outro (por causa do leite que muda de composição e textura durante a mamada);
  • O leite inicial é mais ralo, mata a sede do bebê;
  • O leite final é mais denso, mais encorpado, rico em gordura, que deixa o bebê saciado;
  • Não se deve dar nenhum outro alimento (que não seja leite materno ou leite adaptado para recém nascido) ao bebê. Nada de mel, açucar, água. Mel e açúcar fazem até mal, porque o sistema digestivo do bebê é muito imaturo, não tem flora intestinal formada (o LM é que forma decentemente a flora intestinal) e isso pode causar sérios problemas ou desconfortos no seu filho;
  • Uma mamada pode durar 5min ou 30min, depende do seu filho e do fluxo de leite que sai do seu peito;
  • Tire da sua cabeça a ideia de ficar sem sutiã. Nem mesmo para dormir. Durma com sutiã sem aro;
  • Não aperte muito o peito, esqueça blusas apertadas, não use sutiã muito apertado no bojo para evitar obstrução dos dutos mamários;
  • Se por alguma razão não conseguir amamentar e seu peito encher, extraia o leite. Evite o ingurgitamento mamário.
  • Sutiã de amamentação, com bojo removível é muito legal em fotografia, mas poucos dão sustentação ao peito. Prefira sutiãs que sustentam, mesmo que não removam o bojo;
  • Garanta que seu filho faz uma pegada correta do mamilo, assim ele mama direito e você não vai sofrer com dores nos mamilos ou fissuras;
  • A almofada de amamentação (aquela, em formato de ferradura) não é um supérfluo, acredite!

A mãe tem que estar relaxada, sentada ou deitada, da maneira que estiver mais confortável. Se for apoiar o bebê no braço, relaxe o braço, não deixe a musculatura tensionada, porque a cabeça do bebê vai ficar mais confortável se o músculo estiver molinho.
Se estiver sentada, apoie os pés, cruze as pernas (desaconselhável para quem está no resguardo, os pontos não permitem), enfim, faça qualquer coisa que não a deixe com dor nas costas por estar sentada.
Coloque a almofada de amamentação no colo. Pegue o bebê (ou peça a alguém que coloque ele no seu colo), ajeite-o no seu braço.

Tenha calma. Não adianta ficar tensa porque o bebê chora, ou porque ele não tá ficando na posição que você quer. Relaxa, vai dar tudo certo.

Ponha a mama de fora, apoie a mão que está livre abaixo da mama, contra a sua costela, como se fosse um suporte. Apenas o polegar não vai ficar abaixo da mama, pode colocá-lo ao lado (como na foto abaixo) ou acima do mamilo, sem apertar.

Aproxime o bebê, ajudando-o a encontrar o mamilo com a boca. A língua do bebê tem que ficar embaixo do mamilo porque vai fazer um vácuo pra sucção. O lábio inferior tem que ficar virado pra fora (como se estivesse fazendo beicinho, sabe?). O mamilo tem que ficar todo na boca do bebê. Não é só a pontinha. Se colocar só a pontinha, vai doer… muito!! Caso não consiga (que foi o meu caso), aperte o mamilo com os dedos, dobrando a pontinha pra dentro, coloque na boca do bebe, e solte. Se ainda assim não funcionar (que também foi o meu caso), recorra aos mamilos de látex ou silicone:

Nos livros do Rinaldo Delamare e da Helena Saraiva, há fortes recomendações contra usar mamilos de látex ou silicone, bem como o uso de chupeta ou mamadeiras. A tal Helena Saraiva recomenda inclusive que, se a mãe fizer extração do leite (manual ou com bomba), que dê depois ao recém nascido num copinho, pra evitar o nipple confusion.

Segundo um site britânico, o tal nipple confusion é quando o bebê não quer o peito da mãe preferindo a facilidade da mamadeira.

Eu acho um pouco de exagero e vou contar a minha experiência.

Não consegui dar peito pra ele, tive que usar um mamilo como o de cima.
Na maternidade lhe davam mamadeira e chupeta. Ele pegava no meu peito com o mamilo de látex (usei o da Chicco), e depois que meu mamilo pegou formato de peito de quem amamenta, eu deixei de lado o mamilo da Chicco sem problemas.

A chupeta, no começo ele só queria a de látex. E eu acho que a de silicone é mais higiênica, mas ele é quem manda… E até hoje ele só usa chupeta quando tá tenso. O movimento de sucção é relaxante para o bebê, e às vezes ele tá saciado, só quer fazer sucção. Sempre carrego comigo uma chupeta, e sempre que ele chora e eu não sei o que é, lhe dou a chupeta. São raras as vezes que ele pega. O colinho da mamãe é mais tranquilizador que a chupeta.
Agora ele parou com a palhaçada e, quando quer, já pega chupeta de silicone também (que bom, porque eu tenho 3 que comprei pro enxoval e estavam paradas aqui no armário!).

O pediatra Rinaldo Delamare diz que algumas crianças se acalmam chupando o dedo da mão. Ele dá a entender que as crianças que não conseguem chupar o dedo são menos espertas que as que conseguem…

Sinceramente? Eu prefiro a chupeta… Depois eu consigo tirar a chupeta do bebê, mas não dá pra tirar o dedão da criança, né?

E como eu tenho que complementar a amamentação com leite artificial (uso Aptamil), não tenho como dar num copinho 150ml de leite… A mamadeira do Tuco é da Tommee Tippee, da linha Closer to Nature, que imita a textura e formato da mama, e possibilita a amamentação mista.

Até agora, meu filho não rejeitou meu peito. Às vezes ele faz uma birra porque depois de 10min pendurado no meu peito, não vem um fluxo muito fácil de leite e ele tem que fazer mais força… mas como está com sono, fica com preguiça, faz uma birra porque quer vida fácil. Eu poderia trocá-lo de peito (e funciona), mas ele tem que sugar o leite final com mais gordura, porque é esse que vai alimentá-lo e saciá-lo. Ou então poderia largar de lado e dar mamadeira. Mas se tem leite ainda, eu insisto. Lutamos muito! E por vezes acaba por funcionar e ele cede.

Fora essa situação, meu filho sabe exatamente o mamilo que tem à frente. No confusion at all!!!

Nota: É importante esterilizar SEMPRE as chupetas e as mamadeiras antes de prepará-las para dar ao bebê. E sempre fazer a mistura na hora de dar ao bebê. Isso vai livrar seu filho de gastrointerites e riscos de ter sapinho (candidíase).

Continua em: A verdade sobre a amamentação – Parte III

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7 comentários sobre “A verdade sobre a amamentação – Parte II

  1. Sou louca para ser mae, e mta responsabilidade entao por questao estrutural(financeira) resolvi ainda nao ter….. enquanto isso vou pesquisando tirando algumas duvidas, e etc.
    Cara achei sua pag sem querer pesquizando justamente sobre amamentaçao. Comecei pela pt III devido a pesquisa no google. Gostei mto e senti curiosidade nos outros 2 posts, a claresa e simplicidade com o que vc explica e sem contar vc relatou o mundo real msm, o ideal e um… mas depende de cada situaçao mto interessante msm. Como vi que vc eh uma mae dedicada, gostaria ver mais posts seus, e aprender mais pra um dia eu por em pratica tbm.

  2. olaa! Adorei seu post principalmente Da parte de alimentos. Quando tava gravida Tambem procurei muita base teorica mais na hora ‘h’ a historia foi diferente. Sofri muito maiis no final to amamentando meeu recem nascido so com leite materno. Sabendo dessa necessidade de succao do bebe introduzi uma chupeta nele mas na hora ele largou o peito Infelismente.

  3. Nossa, que conforto saber que não estou sozinha!
    Muito obrigada por compartilhar suas experiências, isso me ajudou muito!
    Felicidades!

    1. Obrigada, Juliana!
      Respondendo a sua pergunta: a gravidade…
      muito peso tem seu peso… dor nas costas, nos ombros, peso dos seios cansa e, em alguns casos, a gravidade causa danos esteticos…

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