A verdade sobre a amamentação – Parte IV

Pensei que eu já tinha esgotado este tema, mas agora sendo mãe de uma menina linda, de quase dois meses de vida, e praticamente com amamentação exclusiva, a realidade é outra.

Relembrando como foi com meu primeiro filho: parto traumático, não pude pegar no meu filho, usei bomba pra estimular e consegui dar 6 meses de aleitamento combinado: LA + LM.
Detalhes aqui.

A situação atual é a seguinte: parto normal, peguei minha filha no colo assim que ela nasceu, foi colocada ao peito nos primeiros 60 minutos de vida. Não consegui fazer pegada, então lhe deram complemento (NAN H.A.). Tentei colocá-la ao peito várias vezes depois, mas não consegui. Então pedi ajuda a uma enfermeira, que conseguiu ajudar a minha bebezinha de menos de 24 horas de vida pegar no peito. Só que minha bebezinha tinha a boca muito pequenininha e só conseguia pegar na ponta do mamilo. E isso dói. Eu insisti no primeiro dia e consegui uma fissura em cada mamilo. Passei pomada Bariéderm, suspendi a amamentação, mas fiz bomba pra conseguir produzir leite.

Mamilo recuperado, vamos colocar a criança de volta ao peito!

Doeu, mas aprendi a fazer massagem antes de começar a amamentá-la, e depois que acabava passava Purelan.

Além da dor, das fissuras, da sensação de ardor quando o colostro acaba e começa pra valer a produção de leite, os peitos inchados parecendo que vão explodir, há o mais desgastante: amamentar a cada 2h.

O intervalo recomendado pelos pediatras é de até 4h. Ressalto o “ATÉ”.
A minha filha berrava de forme a cada 1h30min ou 2h.

Ou seja… noites em claro. Você ainda exausta do parto, de toda hora que conseguia cochilar na maternidade vinha uma enfermeira e te trazia um comprimido, gelo, comida, recolher comida, medir pressão ou simplesmente pra se apresentar (mudança de turno) ou perguntar se estava tudo bem (não sou uma paciente chata que fica apertando o botãozinho a cada 5min,então elas vinham ter a certeza que eu sabia que podia chamá-las caso precisasse).

Foi uma tortura. Amamentar um recém nascido não é fácil. Acho que é por isso que muita mulher usa a desculpa do “ah, meu filho não pegou o peito…”
Óbvio que não vai pegar de cara! É um trabalho em equipe, mãe e bebê, juntos, em prol da amamentação.

E isso me irrita tanto… Se a mulher não teve paciência pra amamentar, pq não assume? Fica inventando desculpa e colocando a dificuldade toda do lado da criança.

Então a verdade é: amamentar é difícil nas primeiras semanas. Depois melhora. Depois você entende o ritmo do seu bebê, consegue controlar os horários, já sabe como funciona.

Agora a verdade verdadeira: estou dando LM exclusivamente?
Resposta: não.

Vamos encarar a realidade e deixar de mimimi. Não existe aquela cena poética da mão sorrindo quando se encontra na situação de amamentar exclusivamente um bebê, lutando pra decidir se dorme aquela meia hora ou se aproveita pra tomar um banho, em privação de sono (minha filha tem altas cólicas e não há nada que resolva. Luftal tapeia, mas não resolve).
Me poupem os radicais. Até o pediatra dos meus filhos me disse que não faz mal dar uma mamadeira antes dela dormir, pra que eu descanse também.
Eu tenho dado em média 3 mamadeiras por semana. O resto é LM.

A única forma que minha filha dormia era no meu colo, esticada, comigo ligeiramente sentada…

Preciso que ela durma a noite inteira, como o Tuco dormia. Essa noite foi ouro. Ela dormiu metade da noite no berço e a outra metade no meu colo (por causa das cólicas). Mas é uma vitória! Ela se habituando a dormir a noite toda já tenho chances de ter uma noite tranquila daqui a algumas semanas.

Continuo usando a linha Close to Nature da Tommee Tippee, e até agora nada de rejeitar o meu peito. Ela até prefere porque tem extras: quentinho, colinho de mamãe, batimento cardíaco, cheiro de mamãe… mamadeira é mais fácil, mas não tem esses atrativos.

Acho que o nipple confusing é uma baboseira sem tamanho.

Eu sou a favor da amamentação até os 6 meses de idade que não precisa ser exclusiva, mas que corresponda a um percentual significativo na alimentação do seu bebê, porque essa é a forma mais fácil de lhe passar anticorpos.

E, por favor, assuma as suas decisões. Se não quer amamentar, diga que não quer e pronto. Mas não coloque a culpa no seu filho que acabou de nascer dizendo “ah, ele não pegou o peito…” ou “meu filho enjoou do meu leite…”.

Fofa, são poucos os bebês que pegam como deve de ser assim que nascem. Tem que insistir e se dedicar. E é um direito seu amamentar ou não. Mas é uma obrigação sua ser verdadeira com você mesma. E que se danem a sociedade e os puritanos.

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2 comentários sobre “A verdade sobre a amamentação – Parte IV

  1. Olá,

    Estou muito contente em ter achado seu blog. Quisera eu ter encontrado antes. Você está de parabéns! Comigo aconteceu algo parecido. Tive meu bebê em fevereiro deste ano e, felizmente, ocorreu tudo bem no parto cesariana. O problema foi que ele não conseguia pegar o peito e logo tive que dar o leite artificial. Depois de muito tentar e usar a tetinha de silicone, consegui que ele pegasse o peito no oitavo dia de vida! Não sei se por isso, mas nunca tive uma produção suficiente para que ele se saciasse e sempre tive que complementar com LA. Muito sofri e chorei com cada mamadeira que tive que preparar, pois me sentia na incapacidade de produzir o alimento do meu bebê! Digamos que hoje eu esteja mais conformada com essa situação, pois minha licença maternidade está no fim e ele precisará da mamadeira. Sempre invejei as mães que dizem ter muito leite e tenho raiva dos pediatras e afins que insinuam que não tenho leite porque não dou o peito pro meu filho, sendo que amamentar sempre foi importante pra mim.

    Obrigada por dividir suas experiências. Às vezes eu achava que só eu tive problemas com a amamentação.

    Bjus.

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