Uma nova história de amor

Depois que a Luka adoeceu meu marido achou que não conseguiria ter outro cão tão cedo. Todos nós éramos super apegados a ela, mesmo porque era a primeira vida que nós dois nos tornamos responsáveis. Era a nossa filha mais velha.

Nota: Não me interpretem mal, já discuti e bati boca com muita gente por declarar que meus cães são meus filhos e se alguém que esteja lendo isso não gostar, paciência. Os cães são meus, a vida é minha e eu os chamo como eu quiser.

A dor de ver a nossa cachorrinha definhar tão rápido, com uma doença ingrata e sem cura, e que devido a sua imensa doçura não fazíamos ideia do tamanho do seu desconforto, nos foi muito difícil decidir o dia de por um fim a esse sofrimento. O dia “D” chegou, e até o último minuto eu tive esperanças do veterinário nos dizer que afinal tinham se enganado no diagnóstico e que ela ia ficar boa. O corpo dela nos mostrava o oposto, mas eu tinha dentro de mim uma necessidade de acreditar que ela ia ficar com a gente por mais uns 10 anos. Infelizmente, os médicos não se enganaram. E 10 minutos depois de chegar ao veterinário, eu morri um pouco por dentro. O que eu senti não desejo a ninguém, nem ao mais desprezível dos seres humanos.

No dia seguinte, eu e meu marido fomos levar nosso filho na escola, e depois precisávamos sair de casa. Ficamos fora de casa o dia inteiro. E entre muitas lembranças felizes e litros de lágrimas, decidimos que a nossa casa, a nossa família, precisava de mais um membro. Não é questão de substituir a Luka. Isso é impossível. Ela é unica, sempre será. É a necessidade de transformar esse aperto dentro do nosso coração em amor pra uma nova vida. Só não sabíamos quando seria a melhor altura porque o nosso filho de dois anos e meio ainda não tinha noção do que tinha acontecido e ele era muito apegado à Luka.

Já tínhamos conversado com algumas pessoas e o conselho que nos deram sobre o Tuco foi: explicar conforme ele for perguntando. Também nos disseram que ele tinha que fazer o luto quando percebesse e aceitar a ideia de um novo membro e, principalmente, que ele percebesse que não estávamos substituindo ninguém. Estávamos nos permitindo ter outro cão. E mesmo nesse dia, começamos a procurar informações sobre cães, encontramos vídeos lindos sobre várias raças, mas nada se comparava ao Golden Retriever. Tudo o que procurávamos num cão estava nas características de um Golden.

E em meio a crises de choro, de questionamento, de culpa (sim, por muito tempo pensamos que poderíamos de alguma forma ter evitado o linfoma epiteliotrópico que arrebatou a nossa Luka), conseguimos encontrar um criador. Nem quis saber onde era. Achei muito bacana a apresentação do site dele, mas como marketing é tudo (e eu precisava saber se aquilo era fachada ou se ele era mesmo um cara sério), eu liguei. Consegui segurar as lágrimas durante a meia hora que conversei com ele. Ele tinha uma cadela que ia ter filhote dali a um mês, e me explicou a filosofia de criação dele, explicou o objetivo desse trabalho, falou sobre o que ele acha importante e eu meu coração ficou feliz.

Decidimos encontrar um criador sério porque quando compramos um animal num pet shop não fazemos a mínima ideia da origem do filhote. Não sabemos se o criador preocupa-se com o bem estar das suas cadelas ou se é uma fábrica de filhotes, quantas ninhadas a matriz já teve, se fazem cruzamento de parentes, se fazem despiste de doenças (por regra, não se devem procriar cães que tiveram doenças graves ou degenerativas diagnosticadas, mas isso não é uma lei, é bom senso). Ficamos mesmo perdidos com o histórico da Luka. Tínhamos o pedigree dela e cheguei até a ligar certa vez pro canil e me disseram que nunca um cão deles teve câncer ou displasia da anca.

A Luka teve os dois.
E isso me faz questionar se foi muito azar ou se foi muita filhadaputice.

Pois bem. Pensamos por dois dias e mandei um e-mail pro criador e fechamos negócio. Demos 1/3 do valor de sinal e o restante pagaríamos quando buscássemos o filhote. Acompanhei o restante da gestação pela internet e sempre tive notícias sobre a mãe e ninhada. Recebi fotos dos filhotes desde o primeiro dia de nascimento, fui informada das consultas que mãe e bebês foram submetidos, e quando os filhotes completaram 7 semanas de vida, recebi as fotos pra escolher o meu.

Filhote escolhido, comecei a contar os dias pra ir buscá-lo.
Compramos todos os aparatos necessários pra garantir o conforto do nosso novo amigo. Tudo pela internet.

E chegou o grande dia. Fiquei muito nervosa porque já estava acostumada com a Luka, com o jeito dela de ser e estava com muito medo do nosso novo filho não se adaptar à nossa rotina. Mas ele é um Golden também! As chances dele não se adaptar são quase nulas. Mal dormi à noite.

Chegamos à casa do criador e fiquei felicíssima de ter escolhido um cão daquela casa. Pessoas incríveis. Meu filho se apaixonou pelo cão e criou um sentimento de possessividade que eu até achei engraçado, mas tenho que trabalhar isso nele. E eu… meu coração se encheu de saudades da minha Luka e ao mesmo tempo encheu-se de alegria por ter um novo amiguinho.

A adaptação está sendo mais tensa do que imaginei, porque agora estou vivendo uma experiência completamente nova: uma criança largando as fraldas ao mesmo tempo que o meu bebê aprende a sentar e ao mesmo tempo um filhote fazendo xixi pela casa inteira e mordendo tudo o que vê pela frente.

Mas vale a pena. Olha pra essa fofura e diga que eu não estou certa?

Marvin
9 semanas
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