O parto mais lindo do mundo!

Não posso negar que depois do parto do Tuco eu fiquei apavorada quando vi o positivo na gravidez da Liv.

Por uns tempos eu só pensava em como ia fazer pra ela sair dali de dentro, afinal eu ainda acho a cesariana um risco muito grande e estava apavorada de dar tudo errado com o parto da Liv e ela sofrer como o Tuco (e eu mais ainda…).

Resolvi fazer o acompanhamento todo no privado, com uma ginecologista recomendada por uma amiga. E foi a melhor coisa que eu fiz.

Pra quem quiser a recomendação, me envie mensagem. Essa obstetra trabalha tanto na CUF Descobertas como na Dona Estefânia.

Tive as incertezas se minha filha teria Trissomia 21, se teria problemas cardíacos, se eu ia conseguir até as 40 semanas. Meus pais vinham para o Natal e programaram a viagem pra chegar 4 dias antes das 40 semanas. Senti muita cólica no final da gestação, começando nas 34 semanas. Não tive perda do rolhão mucoso e todo mundo me dizia que o segundo filho vem mais rápido, dilata mais rápido e raramente chega às 40 semanas.

Eu fiquei desesperada, porque precisava de alguém pra ficar com o Tuco e com a Lukita. Fiz questão de ter meu marido comigo, já que o parto do Tuco eu fiquei sozinha o tempo todo e foi horrível emocionalmente pra mim.

Mas a Liv se comportou bem e eu também. Na consulta das 37 semanas a minha médica me mandou parar de tomar magnésio pra deixar as contrações virem na altura certa. Nas 38 semanas traçamos o plano final. E nas 39 semanas começamos a cumpri-lo.
Ela achou que a bebê tava muito baixa, encaixadinha, e queria fazer um toque de descolamento pra ajudar ela a descer. Eu pedi pra ela esperar até sábado porque meus pais chegariam pro parto e eu precisava de alguém pra estar com o Tuco. Ela entendeu e me pediu pra passar de manhã cedo no hospital no sábado. Fui eu ao hospital e ela saiu da apresentação de orquestra do neto pra ir lá me dar o tal “toque”. Doeu muito, mas nada que me fizesse sofrer demais. Em dois minutos passou todo o desconforto. Me colocou no CTG e viu que tava tudo bem. Me mandou andar muito, ir ao aeroporto buscar meus pais, almoçar levinho, pegar as minhas coisinhas e vir dar entrada no hospital às 16h, pq eu já estava com 2cm de dilatação.

Nota: não foi uma indução porque eu já estava com dilatação. Ela apenas usou de recursos naturais para facilitar o processo e minimizar o tempo de parto.

Papai e mamãe em casa, malas desfeitas, a minha pronta. Me despedi do meu filho e disse que ia voltar com a mana dele nos braços.
Chegamos no hospital, lotado. Tive que ficar a espera de uma vaga no andar das grávidas (onde os quartos estão preparados pra acompanhar o trabalho de parto) e liguei pra minha obstetra. Ela me disse pra subir e descer as escadas, andar pelos corredores e não me sentar. Ela me queria cansada e andando. Fui eu zanzar pelos corredores do hospital que nem uma doida.

Às 18h minha médica chega e me dá um comprimido de ocitocina. E faz CTG: sem contrações.
Meu quarto ficou pronto. Lá fui eu me preparar: clister, banho tomado, bata vestida. Deitei na cama e fui toda ligada a aparelhos: CTG, soro, esfigmomamômetro.

Às 19h minha médica disse que ia jantar e me queria calma e relaxada. Me deu uma medicação IV pra ajudar a dilatar e a aumentar as contrações, que ainda estavam em torno dos 50. Me disse que eu poderia pedir anestesia a qualquer momento, bastava dizer.

Como eu tive aquela superdosagem de anestesia no parto do Tuco e fiquei paralisada por horas, resolvi aguentar ao máximo as contrações… e isso durou mais uma meia hora. Pedi a anestesia e pronto. Voltei a sorrir. Poderia pedir outra antes das 22h. E foi o que fiz. Nem pensar que eu ia sentir dor! Parto normal sim! Com dor é que de jeito nenhum!

Minha médica voltou logo de seguida e foi avaliar a evolução da dilatação. 6 cm.
Ela começou a ficar preocupada e começou a pedir exames. Estava começando a ponderar a cesariana.

A bebê ainda estava bem, eu anestesiada, contrações baixas. Ela me deu mais um comprimido sei lá do que e disse que isso tinha que aumentar as contrações. Eu e meu marido ficamos desesperados. Como assim? Não to dilatando? Vou passar de novo o que aconteceu com o Tuco? Eu não quero cesariana, meu marido já ficando irritado comigo e falando pra médica que tinha que fazer o que fosse preciso pra nós não sofrermos.

Minha médica segurou na minha mão e me pediu pra respirar fundo e me acalmar. A enfermeira chegou e não conseguia pegar nenhuma veia pra tirar sangue. Nada de exames de sangue. Minha médica nervosa. E eu comecei a sentir uma dor descomunal na perna esquerda. A direita tava completamente indolor e até pesada demais pra eu mexer, mas a esquerda doía demais! A minha dra. disse que ia lá fora respirar ar (=fumar) e já falava comigo quando voltasse.

Eram quase 23h e nada de contração aumentar. Continuava em 50-70.

As dores na perna esqueda aumentavam. E eu já estava perto de poder pedir outra dose de anestesia.
Minha médica voltou às 23h e foi ver o gráfico do CTG. Nada de contração forte. Ela respirou fundo e disse: Ah, Carolina, isso não é nada bom.

Eu já estava desde as 18h “em trabalho de parto” e ela tá dizendo que não é bom sinal? Ui! Medoooo!

Reclamei de novo da dor na perna e ela: deixa eu ver isso. Examinou minha perna, fez teste de sensibilidade numa perna e outra e disse que tava tudo bem. Pediu pra eu abrir as pernas pra fazer outro toque e ela olhou pra mim e abriu um sorriso: sua filha já está cá fora. Vamos já pro bloco de parto!

Veio a enfermeira e me deu uma dose extra de anestesia pra garantir que eu não ia sentir nada ali embaixo, mandou meu marido se esterilizar, e fomos pra sala de parto às 23h30 (ficava ao fim do corredor).

Cheguei lá já tinha uma equipe a minha espera, minha médica apareceu com roupinha de cirurgião, meu marido apareceu, me mandavam fazer força e diziam “genica! genica!”. Eu, óbvio, tava fazendo a força errado… Eu tava fazendo abdominal e tinha que fazer força pra fazer cocô. Se eu tivesse feito curso preparatório saberia, mas pra aprender a fazer cocô eu ia num curso desses??? Jura???

Tudo esclarecido, fiz força por 5 minutos. E minha filha nasceu. Ela tinha o cordão à volta do pescoço, a dra usou a ventosa para apoia-la enquanto cortava o cordão em volta do pescoço dela, então meu marido não teve esse “prazer”. E quando ia fazer o empurrão final, a minha dra disse (e isso eu nunca na vida vou esquecer):

Carolina, vem cá buscar a sua filha!

E eu nem sei como,  mas fui. Me curvei toda pra frente e eu peguei a minha filha e a abracei. E chorei muito de alegria! Tive um parto natural, feliz, com minha filha saudável, sem traumas. Meu marido aliviado se emocionou junto comigo.

Não temos foto do parto, não temos aquela foto que todo mundo tem da família reunida na sala de parto. Mas eu tenho isso na minha memória. Sinceramente? Vale muito mais do que qualquer fotografia, porque eu curti aquele momento.

Depois veio o pediatra, levou a Liv pra fazer o apgar e os exames iniciais e eu fiquei ali pra ser suturada (teve que fazer a episio) e enquanto isso meu marido estava lá junto da nossa bebê, enquanto ela estava sendo limpa e vestida pelas enfermeiras.

Dali a menos de uma hora fui pro recobro e encontrei eles dois, apaixonados.

A primeira foto com a Liv foi tirada às 3 da manhã.

Liv e eu

Com certeza existem histórias de parto lindas e poéticas, mas não mudaria a minha em nada. O parto do meu filho foi muito traumático, mas ele é perfeito. E o parto da minha filha me fez feliz. E a minha família, a que construí junto com o meu marido, me faz mais que feliz.

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