Mãe, babá, bebê e afins

charge_escravocrata

Ontem vi esta charge no facebook e então fiz um comentário expondo a minha opinião, que cito a seguir:

“Dura realidade.
O ilustrador tinha só que colocar a senhora que está empurrando o carrinho com o fatídico uniforme de babá… que eu sinceramente acho uma babaquice.”

É de se imaginar que uma mãe que tem babá e que a veste com uniforme tenha vindo se defender como se o que eu escrevi fosse um ataque pessoal a ela e a sua forma de pensar.

O que me irrita nesta realidade virtual em que cada um fala o que quer, é que não se pode discordar de ninguém que é encarado quase como uma ofensa gravíssima.

Tudo entra como estereotipização. Não se pode dizer que o céu é azul no verão que aparece alguém pra reclamar que isso é generalizar porque existem lugares que chove e alguns dias são nublados e que é uma falta de respeito com as nuvens que aparecem no céu.

Exageros e metáforas à parte, o que me chamou a atenção nesta charge foi a hipocrisia.

O fato da pessoa ir pra rua com a babá pra empurrar o carrinho é ridículo. Mas acontece. Teve filho mas não pode fazer nada sem a babá (salvo se a mãe tiver alguma condição de saúde que a limite)?

Se tem babá, deixa o filho em casa com a senhora que toma conta dele. Se quer passear com o filho, o faça sem a babá, afinal, quem pariu Mateus que o balance.

Na charge a personagem da madame é representada toda fashion e exibindo acessórios desnecessários para se levar a uma manifestação, gritando aos sete ventos o direito disso e daquilo, fora Dilma, fora PT, vai Brasil, e que provavelmente não assinou a carteira de trabalho da “funcionária” e provavelmente também lhe paga um salário miserê. A senhora que empurra o carro, vítima dessa sociedade escravocrata, tem uma etiqueta pendurada na camisa verde e amarela, provavelmente tendo sido comprada pela madame ali na chegada da manifestação pelas mãos de um ambulante, pra que a empregada, que estava toda de branco (que significa paz na cultura brasileira e que entretanto não é esse o objetivo do protesto que ela estava sendo obrigada a ir), possa estar trajada conforme o desejo da sua “patroa”.

A teoria de usar um uniforme “de babá” mostra a necessidade de diferenciar aquela pessoa que cuida do seu filho como uma serviçal e a primeira lição de sociedade que se dá à criança é: estamos divididos em classes e a nossa é superior porque não usa uniforme.

Isso é muito século XIX!! A sociedade brasileira está nas ruas pedindo direitos, igualdade, liberdade, mas ainda assim se divide em castas, criando preconceito.

Essa papo de uniforme de babá me fez lembrar um episódio do E.R., em que a personagem da Maura Tierney resolve passear com seu filho no dia de folga e vai com ele ao parquinho onde estão outras crianças brincando.
Ela senta-se num banco junto com outras mulheres que também levaram suas crianças pra brincar e começam a conversar. No meio do papo ela percebe um tom de sarcasmo entre as mulheres quando se referem às crianças e, pra sua surpresa, percebe que são todas babás. E ela, pra não ser hostilizada, faz de conta que também é. Pra quem não assistiu (acho que todo mundo viu E.R., mas depois que o Mr. Clooney saiu, muitos deixaram de assistir), a Abby engravida do Luka e ela tenta conciliar a maternidade com a profissão de médica e é altamente criticada por não entrar no “padrão” da sociedade seguindo os modismos daquela altura.

Veja bem, neste mundo de ficção que exemplifiquei, as babás não agiriam de forma natural se alguém sem “uniforme” se aproximasse delas e provavelmente a Dr. Abby Lockhart não teria se juntado às babás.

Não sou contra babás e nem contra as pessoas que contratam uma. Cada um sabe de si. Apenas não teria uma porque acho um absurdo pagar a alguém para estar dentro da minha casa pra tomar conta dos meus filhos (independente de eu trabalhar fora ou não). Criança tem que brincar com outras crianças. Viver rodeados de adultos vai ser o futuro deles quando estiverem com uns 25 anos de idade. Acho que uma creche/infantário mais indicado pra tomar conta dos meus filhos se eu não puder estar em casa para fazê-lo.

O dia a dia de uma criança é cansativo para um adulto? Sim! E muito! Mas também é fantástico: brincar, desenhar, alimentar, dar banho, vestir, rir, ver desenho, contar histórias… Afinal, são nesses momentos que a criança desenvolve/adquire suas competências.

Definitivamente, eu não terceirizo a minha maternidade.

armandinho_empregada

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5 comentários sobre “Mãe, babá, bebê e afins

  1. Boas colocações. Existe um filme que mostra este cenário, “Diário de uma babá (Nanny Diaries)” de 2007, com Scarlet Johansson (Babá / Nanny) e Laura Linney (Senhora X / Mrs. X).

  2. Putz! Não consegui passar da metade do texto. Quanta imaginação para interpretar uma charge, quanta merda dentro de uma única cabeça!

    1. Leu o meu blog porque quis.
      Ter uma opinião diferente da sua não te dá o direito de achar que tenho “merda” na cabeça. Primeiramente procure a definição de charge. Depois entenda o que é metáfora. E vc precisa de umas aulas de boas maneiras, sabia?
      Dá uma passadinha depois na página “quem escreve” pra vc entender o objetivo do meu blog.

  3. Você disse tudo o que me passou pela cabeça quando vi essa cena. Sem mais. Isso é ridículo.
    Pessoas com pensamentos ainda tão medíocres querendo mudar o mundo. Lamentável.

  4. Esse assunto de babá é bem mais complexo do que as pessoas colocam, na minha opinião. Tenho uma amiga que diz que babá é luxo mas no mundo capitalista que vivemos já é necessidade. Os horários de trabalho no Brasil são zero flexíveis e as horas de trânsito fazem com que seja impossível pra alguns deixar na creche. Quem sai de casa às 8hs e volta 20hs faz como? Porque esse é o horário da maioria das pessoas que eu conheço que trabalham. Fora que a quantidade de viroses que as crianças pegam é surreal, meu filho está na creche há 7 meses e passou no mínimo metade desse tempo em casa se recuperando, quem cuida dele nesse período? Se a mãe faltar o trabalho metade do ano certamente não terá mais emprego. É muito dificil porque na prática se você coloca na creche TEM que ter um plano B, e infelizmente muitas pessoas não o tem…O bom mesmo era poder ficar em casa cuidado dos filhos nos primeiros 2 anos, é o que eu gostaria de poder! Enfim, resolvi comentar porque adoro seu blog, mas acho que todos os assuntos tem vários pontos de vista…

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