Eu, que não sou uma mãe normal

Como toda mãe normal eu acompanho alguns blogs e matérias sobre maternidade e parenting. E hoje em especial eu li um post que me levou a outro, que me levou a outro e que me levou a concluir que… Eu não sou uma mãe normal.

Já reparei que muitas das mães que falam sobre os suas experiências e desabafos maternais começam dizendo algo do gênero “sempre quis ser mãe de menina” ou “sempre soube que seria mãe de menino”.

Eu, que não sou uma mãe normal, nunca sonhei em ter filhos, muito menos em específico menino ou menina ou um casalzinho e muito menos ainda sonhei em ter gêmeos ( apesar de que quem deseja ter gêmeos não deve ser uma pessoa muito normal). Hoje tenho o que todo mundo acha normal: um menino e uma menina. E quando eu dizia que ia ser legal que o segundo fosse outro menino eu ouvia “ahhhhhhh não! Agora tem que ser uma menina!!”. E quando eu perguntava o por quê a resposta era: porque sim, oras! 
Eu não entendo.

Eu, que não sou uma mãe normal, nunca pensei em nome pra filho, achava um ou outro bonito (tão bonito quanto ir ao cinema e gostar do filme), nunca fantasiei em dizer o nome do meu futuro filho/filha imaginário. Na verdade eu demorei muito pra escolher o nome dos meus filhos (e era uma pressão insuportável de todos os lados porque eu ainda não sabia o nome da criança que estava há uns 5 meses na minha barriga).

Eu, que não sou uma mãe normal, não sinto a menor saudade de estar grávida. Nem do cheirinho de bebê que eles tinham quando nasceram. Nem daquele chorinho bom de bebê que com um mês já muda. Nem do peso levinho dos bebês. E muito menos da amamentação.

Mas além de não ter estas características de mãe normal também acho que faltaram outras características pra eu atingir o grau de normalidade.

barbie worldEu, que não sou uma mãe normal, detesto o mundo dos super heróis que os meninos desde cedo são imersos, só porque é coisa de menino. E também tenho aversão ao fantástico mundo cor-de-rosa cheio de bonequinhas loirinhas que as meninas são obrigadas a se inserir. ODEIO o sexismo. Minha filha é uma menina, e não uma Barbie. Se no futuro ela vier a gostar deste tipo de boneca vai ser por opção dela (eu adorava, é verdade, e fui muitas vezes impelida a optar pelas bonecas porque era constantemente criticada pelos mais velhos por querer brincar de luta com o meu irmão, já que eu era a Change Mermaid e ele era o Change Grifon… e luta não era coisa de mocinha). Mas de jeito nenhum vou enfiar subliminarmente na cabeça minha filha em que o padrão é ser magra, de cabelo comprido, carregada de maquiagem na cara.

Eu, que não sou uma mãe normal, compro pro meu filho roupa de todas as cores, inclusivethor sweet rosa. E nenhuma delas tem personagens de desenhos ou de TV. Na verdade ele teve uma blusa amarela com o Thor, mas era caracterizado de uma forma engraçadinha e não violenta que não resisti. E minha filha usa cor-de-rosa na mesma proporção que azul, vermelho, amarelo, preto, verde, laranja, roxo…

Eu, que não sou uma mãe normal, não falo com meus filhos com voz infantilizada. Eu tenho a minha voz, eles têm a deles. Eles não precisam de uma voz de esquilo como exemplo.

Eu, que não sou uma mãe normal, não estou preocupada com o que os outros pensam sobre a minha forma de educar meus filhos. Tenho um filho perfeito, educado e inteligente que também faz birra, malcriação, que chora, grita, senta num canto e faz drama, e eu não tenho vergonha de repreendê-lo ou de controlar o seu mini-ataque de nervos em qualquer lugar que ele aconteça.

Eu, que não sou uma mãe normal, entro no mundo dos meus filhos e brinco com eles, jogo bola, dou saltinhos andando de lado (como meu filho diz, fazer “ô ô”), faço piruetas, brinco de estátua, brincamos de lauch and catch imaginário… em público. Às vezes é na rua, no parque, no shopping, no mercado, onde der vontade de brincar.

Eu, que não sou uma mãe normal, não recorro a ipad, mini dvd player ou qualquer outro gadget pra distrair o meu filho à mesa de refeição, seja em casa ou num restaurante. E em casa o deixo assistir horas de TV a fio.

Eu, que não sou uma mãe normal, deixo meu filho comer com garfo e faca de metal desde que ele completou 3 anos de idade. E não me incomodo que caia comida por todos os lados, afinal, ele está aprendendo. Também não me incomodo que suje a roupa de comida. Pra isso existe Vanish.

Eu, que não sou uma mãe normal, não ensinei o meu filho o preço de nada e devo continuar assim até sentir que é o momento dele aprender isso. Ele sabe que as coisas não são de graça e que temos que trabalhar pra ganhar moedas, mas ele não faz ideia de quanto cada uma vale. Hoje, ele valoriza tanto uma caixa vazia de sapatos como o Laserang, porque pra ele é tudo brinquedo.

Eu, que não sou uma mãe normal, não obrigo o meu filho a comer legumes e verduras. Ele está com a mania do “não gosto disso” e é curioso com comida. Quando for a hora ele descobre novamente o paladar. Se eu não comia alguns legumes e nenhuma verdura quando criança não é justo o obrigar a isso se ele come com prazer muita variedade de comida saudável, inclusive fruta.

Eu, que nao sou uma mãe normal, olho pro meu filho de 3 anos e não tenho a menor saudade de quando ele era bebê e acho que o sentimento vai ser igual com a minha filha. Acho tão fantástico vê-los crescer, adquirir novas habilidades e capacidades, ganhar independência. Mal posso esperar pra pergunta como foi a festa de ontem à noite quando eles acordarem perto do meio dia de domingo, completamente exaustos de tanto se divertir.

Eu, que não sou uma mãe normal, ensino o meu filho a cumprimentar todas as pessoas que cruzam o nosso caminho: funcionários do supermercado, motorista do ônibus, vendedor de loja, garçom, educadoras da creche, senhora da limpeza, porteiro, etc. Ser educado é uma coisa. Ser educado com simpatia é outro nível.

Eu, que não sou uma mãe normal, não projeto nos meus filhos aquilo que eu gostaria de ter feito/sido. Eu sou eu. Tive o meu tempo. Eles terão o tempo deles.

fotos filhosEu, que não sou uma mae normal, não tenho medo de publicar foto dos meus filhos na minha rede social, seja na porta de casa ou da escola ou tiradas em qualquer lugar, mesmo que com a localização, porque eu uso as ferramentas da respectiva plataforma pra limitar a visibilidade da fotografia para apenas os meus amigos.

Eu, que não sou uma mãe normal, não quero que eles sejam superdotados. Quero que primeiro sejam crianças. Meu filho tem uma veia musical muito latente e anda agarrado com o violão o dia inteiro. Se ele quiser estudar música e levar a diante, iremos dar todo o apoio. E não faço previsões do que a minha filha vai fazer no futuro. Vamos deixá-la primeiro aprender a andar, que tal?

Mas isso é só a opinião de uma mãe que não é normal.

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Um comentário sobre “Eu, que não sou uma mãe normal

  1. Amei tudo que vc post,pois sempre fui parecida com vc!! E hoje vejo todos adolescentes e felizes,são meus filhos…Mais o mais importante foi que se tornaram meus grandes amigos…

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