Todos os artigos de Carol Mourão

Mulher, quase 40, casada, coração verde e vermelho, mãe de duas crianças maravilhosas, não fumante, sem tatoo ou piercings (nada contra, só não tenho vontade), antifascista, prochoice, bilíngue, espanhol quase lá e iniciando o francês, pedagoga, curiosa, que ama pets e cozinhar comida gostosa e saudável (= sem ultraprocessados). Nasci e cresci no Rio, evolui em Lisboa, aprimorei em Manchester, me redescobri em Curitiba e agora retornei para o lugar onde meu coração pulsa mais feliz: Portugal.

“Vou para Portugal porque as leis trabalhistas aqui ficaram ruins”

Pessoal, tenho lido isso em alguns comentários no facebook, de amigos, de conhecidos, em posts de artigos ou aqueles “prints” que fazem e compartilham.

O que me fez aqui adiantar o assunto foi uma pessoa que comentou no post de uma amiga “quero um avô português para me dar cidadania e eu ir embora para Portugal”.

Primeiro: pelo avô é nacionalidade, não cidadania. Continue a ler “Vou para Portugal porque as leis trabalhistas aqui ficaram ruins”

Morar em Portugal: vale a pena?

Depois de mais de um ano afastada dos posts, por motivos de desmotivação maior – já vos conto do meu novo paradeiro e porque decidi fazer essa mudança – e com mais de 200 e-mails, sem exagero, com eufemismo, pra responder (recebidos no canal “Fala que eu te escuto”), acho que esse post pode ajudar a esclarecer a maioria das dúvidas que me são enviadas: Continue a ler Morar em Portugal: vale a pena?

À deriva. Drifting away.

Ano: 2015.
Dia: o último dele.
Este ano que começou levando embora a minha Luka e termina me tirando sonhos.
Ano que me tirou de Portugal.
Ano em que meus planos em Manchester não foram pra frente.
Ano que tive que me sentir completamente a mercê de um mundo capitalista sem poder fazer absolutamente nada em relação a isso.
Ano que entendi porque a Inglaterra é um dos melhores lugares pra se viver e porque todo mundo quer vir morar aqui, e as consequências disso. Competição com a fasquia elevadíssima, somos mais um no meio da multidão.

Ano que terminou sem me deixar fazer planos.
Ano que se vai sem deixar saudades.

Meu desejo para 2016?
Seja melhor.
Seja melhor que 2015.
Seja mais feliz do que 2015.

Meu desejo para as pessoas em 2016?
Sejam melhores que vocês eram em 2015.
Sejam mais felizes que em 2015.
Reclamem menos do que não vale a pena. Reclamar do calor não vai resolver. Reclame que não há ar condicionado em transporte público. É mais coerente. Não reclame que o sol tá rachando o côco. Reclame que a rua não é arborizada.

Faça valer o seu direito de reclamar pelo seu bem estar e pelo bem estar do próximo.

Desejo que em 2016 as pessoas se lembrem que o seu direito termina quando começa o do outro.
Que as pessoas lembrem que cada um tem direito a opinião. Mas também tem o direito de respeitar e de ser respeitado.

Desejo que em 2016 as pessoas tenham mais consciência.
Desejo que em 2016 haja menos hipocrisia.
Desejo que mais pessoas vejam esse vídeo e reflitam sobre ele.

O que vale mesmo são os afetos.

Feliz 2016.

 

Congestionamento demais? Sinusite à vista.

Acho que foi a mais terrível das terríveis que me atacou, mas vou te contar o que fiz pra melhorar em 3 dias!

Pra entender o meu drama, tenho que voltar um pouquinho no tempo.

Quando saímos de Lisboa para Manchester, em Julho/2015, eu estava me sentindo super bem, sem sinal nenhum de resfriado. Porém, na hora que o vôo estava baixando (de altitude), comecei a sentir dores terríveis (pior que contração de trabalho de parto) em volta do olho esquerdo. Achei que estava tendo um derrame. Era tanta dor que mal conseguia respirar. Meu marido chamou o comissário e ele disse que deveria ser uma sinusite mal curada e daqui a pouco melhorava.

O pouco caso que ele fez me deixou mais aliviada, mas a dor só passou mesmo depois que o avião pousou. Nos dias a seguir tive descargas de muco com sangue pela narina esquerda, o que me leva a crer que um vaso sanguíneo arrebentou e pronto.

Meses se passaram e eu tive apenas um resfriado sutil, nada além. Eis que agora, meus pais vieram nos visitar e aproveitamos esse par de olhos pra ficar com as crianças e saímos, eu e meu marido, para dar umas voltinhas à noite, na cidade. Ver a cidade de Manchester com as luzes de Natal, sem ter que nos preocuparmos se o filho tá ali, se a filha tem a fralda suja, se algum deles tá com fome, com frio, etc. Aproveitamos o mercado de Natal, fomos a uns pubs, curtimos do nosso jeito com a tranquilidade de que nossas crianças estão bem.

Dias depois, comecei a fungar aqui, coriza ali, espirros acolá e… era oficial: gripei.

Mas não me dei por vencida e curti também o Natal em casa, em família, com meus pais e filhos, pelo segundo ano consecutivo. E, lógico, bebi… (como todo ser humano que aprecia uma bebida em datas festivas).

Descobri que a equação: gripe + dormir tarde + festividades + mudança brusca de temperatura + aquecimento ligado 24h resultou em algo muito cruel na minha pessoa: sinusite.

Mas estando eu relativamente acostumada com uma sinusite, não ia me deixar abalar. Dois dias depois do Natal, acordamos super cedo pra levar meus pais no aeroporto. E no caminho me perguntei se tinha passado um carro sobre meu lado direito do rosto enquanto eu dormia, porque doía até pra mastigar.

Despedidas feitas, lágrimas despejadas, pappy e mammy encaminhados, hora de voltar pra casa. Pegamos chuva e vento. Cheguei em casa parecia que tinha vindo de uma batalha. O que fazer? Deitei no sofá e repousei. Piorei, é lógico. Mais uma vez me perguntava: o que fazer? Ir ao médico? Era dia 26 de Dezembro, chuva torrencial, não tinha feito inscrição no centro de saúde, e tinha alagamentos por toda a cidade.

Decidi então fazer um tratamento de choque, a la vovó: medicamento + chá + inalação + massagem facial + vick vaporub.

  1. Medicamento: escolhi um que vende sem prescrição médica, Sudafedcom componentes que eu conheço (pra ter a certeza que não me darão efeitos secundários indesejados). Esse não dá sono, e me ajudou muito pra dormir.
  2. Chá: 3 vezes ao dia, um balde de chá de hortelã com gostas de limão e adoçado com mel. Poderia ser qualquer chá, mas gosto desse. Sem contar que o hortelã é anti-inflamatório, o limão adstringente e o mel alivia irritação na garganta (não que eu tivesse alguma no momento, mas preferi pecar pelo excesso).
  3. Inalação: 5 vezes ao dia, água quente com uma colher de café de vick vaporub. Inalação por 10 a 15 minutos. Também pode-se usar óleo ou essência de eucalipto, mas como eu não tenho e não sei se qualquer óleo serve, joguei pelo seguro. Os vapores ajudam umedecer as vias aéreas, liquefazendo o muco.
  4. Massagem facial: eu sabia que existia massagem facial pra sinusite, mas não sabia como era. Então, o super YouTube me salvou. Meu marido que descobriu o vídeo que ensina como fazer e eu encostava a cabeça no braço do sofá e ele fazia os passos da massagem no meu rosto, sempre após a inalação.
  5. Vick Vaporub: esfregado no tórax e pescoço na hora de ir pra cama, pra que os vapores me ajudassem a dormir melhor.

Associado a isso, me alimentei com sopa “levanta defunto” (receita lá de casa, adaptada: carne, batata, cenoura, abóbora, alho poró, feijão branco, alho, cebola, azeite, agrião) e ingeri muito líquido, média de um copo de água por hora. E fiquei em casa. Mesmo quietinha dentro de casa, nem abria a janela pra ver o dia la fora (lembrando que aqui estamos no inverno e as temperaturas estão em 1 dígito).

O resultado: No 3º dia já não tinha dores nos dentes, a dor e a pressão da face praticamente foi embora, a secreção diminuiu, o nariz não ficava mais entupido, e comecei a reduzir a quantidade de tratamento. Aumentei o intervalo da medicação, faço uma inalação de manhã e outra antes de dormir seguida da massagem facial, não uso mais o vick no tórax, e voltei pro meu adorado café matinal.

Funcionou comigo. Não recomendo a medicação para quem não sabe se tem alergia/intolerância aos componentes do mesmo, e existem pessoas com alergias ao VickVaporub. Se você não sabe se tem, recomendo que faça inalação apenas com vapor de água, sem o Vick.

Chá, sopa, líquidos, massagem, não vejo mal algum.

Se estiver em um lugar quente, beira de praia, aproveite a maresia. Ela faz milagres com as nossas vias respiratórias.

O importante mesmo é não fazer pouco caso de uma sinusite, como eu fiz há meses. Talvez o que eu tenha tido dessa vez fosse um acúmulo de muita secreção e chegou a esse ponto, que a dor nos olhos se assemelha a que sentimos quando temos dengue (eu também já tenho essa no meu histórico…). Se eu tivesse ido a um médico pra tratar o resquício de sinusite que eu tive no passado, não teria sofrido tanto agora.

 

Sem comunicação

Leitores queridos que estão a espera de de uma resposta: Não esqueci de vocês, mas o Windows 10 esta fazendo um complô.
Meu computador nao inicializa e eu definitivamente não consigo escrever como gostaria pelo celular/telemovel.
Peço desculpas sinceras pelo tempo que estão a espera de um sinal de vida meu. Mas pode ser que demore mais uns dias.
Entretanto, se alguém tiver feito upgrade pro Windows 10, tenham em atenção ao arquivo mfewfpk.sys e, até onde li em fóruns, esta relacionado com o Windows Defender.
Ele é o motivo da minha dor de cabeça.

10 itens para pensar antes de fazer as malas

Enquanto estamos na incerteza do nosso futuro me ocupo fazendo planos, estudando viabilidades e possibilidades.
Pelas regras da União Europeia podemos viver em qualquer país que faça parte do acordo do Free Movement Right, mas isso não significa que é apontar o dedo no mapa e colocar o pé na estrada. Existe uma lista de coisas que tem que ser levada em consideração antes de fazer um movimento.

Por exemplo, como eu não tenho nacionalidade europeia, mas meu marido sim, ele tem que primeiro ter um emprego para que eu peça a autorização de residência. E para eu pedir a autorização de residência, tenho que preencher alguns pré-requisitos que variam de país para país.

E além desse pequeno importantíssimo detalhe, existe uma série de coisas que se deve pesquisar antes de decidir mudar de país. Como estamos neste ritmo de ter que estar preparado para onde o vento nos levar, já faço pesquisas de coisas específicas, e certamente não são iguais para todos os países do território da UE.

Não vou fazer a pesquisa pra todos e colocar mastigadinho aqui, porque é impossível fazer isso sem estar no lugar e confirmar se é isso mesmo (nada me irrita mais que informação incorreta). Mas vou deixar aqui um check list pra que você faça a pesquisa no país que te interessar, caso esteja nos seus planos uma mudança.

  1. Moradia: pesquise primeiro por “melhores regiões para se morar em (…)” e a partir daí pesquisa “renting in (…)” e veja o tipo de habitação disponível. Apartamentos, casas flats, mobiliado, não mobiliado, distância do centro/local de trabalho, acesso a transportes.
  2. Condições para alugar: é preciso fiador? Aceita-se carta de recomendação do senhorio anterior? Carta do trabalho confirmando que tem emprego? Contrato de trabalho? Comprovativo do Imposto de Renda?
  3. Custos associados a moradia: no Rio de Janeiro temos o fatídico condomínio, que é um valor alto no custo de moradia. E também paga-se o IPTU fracionado. Em Portugal não há condomínio para quem aluga (geralmente é super baratinho e já está embutido no aluguel) e o IMI é por conta do proprietário. Na Inglaterra paga-se o city council, que é um imposto para quem está habitando o imóvel. Nele está incluído a taxa de coleta do lixo, limpeza da rua, iluminação pública. Além disso paga-se também a taxa de TV, que é um valor anual para quem tem TV em casa.
    Resumindo: pesquisar se tem custo de condomínio, imposto de moradia, taxa de moradia, taxa de coleta de lixo, taxa de TV.
  4. Transporte: carro ou transporte público? Dependendo da cidade que pretende morar, ou da distância da sua futura casa para a cidade/local de trabalho, tens que saber de antemão a melhor forma de locomoção e os custos associados a isso. Em Lisboa eu usava muito transporte público, mas também tínhamos carro. O seguro em Portugal é barato em comparação a média da UE (mas alto em comparação com o salário mínimo português), o valor do carro não é uma pechicha, mas é mais barato que no Brasil, mais caro que no UK. O seguro no UK é absurdo nos primeiros anos, mas não baixa das £500 mesmo depois de anos de bom histórico. Os transportes públicos em Lisboa nos levavam a todos os lados (além de serem excelentes – e há quem reclame!), em Londres eu nem senti falta de carro quando estive a passeio e morando em Manchester só senti falta do carro uma ou duas vezes. Faça uma pesquisa no google maps sobre a distância de lugares de interesse (escola, mercado, cinema, trabalho, hospitais, etc) e tente identificar a melhor opção pra transporte e o que cabe dentro do orçamento.
  5. Saúde: pública ou privada? O que o país oferece? No UK toda a saúde é pública, basta residir legalmente para se inscrever num centro de saúde, e a dedicação às crianças menores de 5 anos é algo fora do comum; Em Portugal existem as duas vertentes e os seguros de saúde não são tão caros, depende do que cabe no seu bolso e do que vc considera plausível. Na Irlanda toda a saúde é privada, mas vc tem que pagar um seguro de saúde obrigatório pra usar o seguro de saúde.
  6. Acesso a medicamentos: No UK até pra comprar anticoncepcional é necessário apresentar prescrição médica (emitida pelo NHS). Meu marido tem que tomar Levotiroxina Sódica todos os dias, pro resto da vida (por causa do câncer da tiróide) e aqui não vendem sem prescrição, mesmo sendo um medicamento inofensivo. Outros remédios como paracetamol, ibuprofeno vende-se até no supermercado, nas prateleiras. Em Portugal é mais fácil pra algumas coisas (anticoncepcional eu sempre comprei sem prescrição), mas alguns é mais restrito. No Brasil só tarja preta e alguns tarja vermelha precisa de receita. Então, se você usa anticoncepcional, é melhor se informar antes e, se for o caso, levar uma reserva com você, porque nem sempre medicamentos passam pelo controle postal. Por via das dúvidas, prepare um kit de primeiros socorros.
  7. Educação infantil: tem crianças? Qual a idade? Procure saber qual é a idade do ensino obrigatório. Em Portugal é aos 6 anos, no UK é aos 4 anos (inclusive tem fiscalização em cima). Se informe sobre quando tem que fazer a inscrição nas escolas, se tem custos, qual o critério pra inscrição em determinada instituição, a data limite para inscrição, etc. Lembre-se que no hemisfério norte o ano letivo começa em Setembro e termina em Julho do ano seguinte.
  8. Telecomunicações: preço dos serviços móveis, qual a melhor operadora, se é CDMA ou GSM (na Europa quase não tem mais CDMA, mas nos EUA ainda existe com uma certa força), o melhor tarifário, o custo dos serviços fixos (TV+Fone+Net), período de fidelização e respectiva multa rescisória, etc.
  9. Frete da mudança: se a casa não tiver mobília, compensa trazer a sua? Alguns países da Europa tem uma rede de mobiliário e decoração chamada IKEA. Relacione o que você levaria na mudança, veja o preço do mesmo no IKEA e faça as contas. Vale mais a pena vender o que se tem e comprar de novo? O frete + valor já investido em itens de casa (e as miudezas, porque no final o valor de itens de cama mesa e banho e utensílios de cozinha fica sempre maior do que imaginamos) compensa?
  10. Despesas de mercado. Vá ao google, pesquise os principais supermercados da cidade que vc vai mudar, entra no site deles e simule uma compra de semana. Alguns não tem loja online, mas tem o folheto de promoções. Faça uma lista e vá anotando. Eu uso o excel, coloco uma coluna com a moeda local, procuro a cotação no google , faço conversão e comparo com o meu custo atual. É um exercício não muito preciso (porque sempre tem as promoções, produtos que passamos a conhecer e as adaptações alimentares que são inevitáveis), mas dá pra se ter uma noção do impacto que a alimentação terá no orçamento.

Planejar com calma. Esse é o segredo para que sua mudança seja um sucesso. Levei dois anos pra colocar em prática a mudança do Rio para Lisboa. Era tanta gente preocupada com o que estávamos fazendo que até quando fui conversar com meu gerente na época, sobre a minha demissão, ele ficou preocupado em eu estar metendo os pés pelas mãos e me fez uma série de perguntas. Mas para alívio dele, eu tinha todas as respostas na ponta da língua. Faltava a bola de cristal pra saber o que nos esperava, mas preparada pra enfrentar o que viesse, com certeza eu estava.