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Finalmente Caroline

Desde que conhecemos a capital da terra da rainha, em 2011, ficamos apaixonados e de alguma forma nos identificamos com a cidade e com as pessoas. Quando voltamos da primeira viagem descobri que estava grávida e quando soube que teríamos um menino pensamos muito num nome que se encaixasse nas três culturas: brasileira, portuguesa e britânica, afinal, ficamos com aquela pontinha de desejo de um dia morar no Reino Unido. Mas independente disso, não queríamos que nosso filho tivesse dificuldade de falar o nome ou ser entendido quando tivesse que se apresentar.

Pensamos muito e, além das regras que eu tinha estabelecido pra mim mesma (proibido nome de Continue a ler Finalmente Caroline

Starting all over again

Em 2008, chegamos a Lisboa apenas nós dois. Ninguém a nossa espera, ninguém a quem procurar.
Em 2009 passamos a ser três, em 2012 passamos a ser quatro, em 2014 éramos 5, em 2015 passamos a ser 4 novamente, depois 5 e por não ter tido opção, somos só nós 4 mais uma vez.

Hoje conto 15 dias na terra da rainha, poucas horas de sono, muitas libras gastas no Ikea, Argos e Amazon, tenho minha casa 60% do jeito que eu quero, e já posso sentar à bancada da minha cozinha, tomar uma cerveja, ouvir uma música (enquanto o marido está vendo TV com os ouvidos atentos às crianças que já dormem, caso preciso) e escrever.

Moro num Continue a ler Starting all over again

Faltam 4 dias

Tudo à minha volta está uma confusão. Minha casa quase sem mobília, tudo o que havia dentro delas em sacos, caixas ou simplesmente empilhado num canto, meu filho sem rotina nenhuma, minha filha tentando ter uma rotina, horas a menos de sono e 4 dias sem marido.

Ele foi pra Manchester pra pegar as chaves de casa e pra comprar a mobília ultra necessária pra chegarmos lá. Basicamente, o quarto das crianças, um sofá e um colchão pra dormirmos.

Depois que o Marvin foi embora, conseguimos o deal de uma casa em apenas 4 dias. Ou seja, o deixámos na casa do criador no Domingo e tivemos a nossa proposta aprovada numa 5a feira. Mais uns 10 dias de burocracia e pronto! Chaves liberadas.

Faltam 4 dias pra mudarmos todos nós pra casa nova. Cidade nova. País novo.

Sei que vai ser maravilhoso, não tem como não ser. Adoro a Inglaterra, as pessoas, a diversidade. Acho que Manchester vai me surpreender positivamente. Sei que não é como Londres, mas é mais cidade (em termos de desenvolvimento e acesso a informação) que Lisboa.

E mesmo assim, mesmo eu estando super ansiosa pra conhecer minha nova vida, me dá um apertozinho lá no fundo porque não vou ter nem a minha Luka e nem o meu Marvs comigo nessa mudança.

Talvez tenha sido por isso que Deus me tirou a Luka. E por sorte o Marvin ainda era novo o suficiente pra se apaixonar por outra família que lhe desse muito amor e que pudesse ficar com ele pra sempre.

Sinto falta dos meus cães. Vou ter tanta coisa pra fazer no início que não vou ter tempo pra sofrer por isso, mas quando as coisas entrarem nos eixos, acho que vai me dar um ligeiro vazio…

No pets allowed

Querer é poder.
Querer, poder, conseguir.

Sempre acreditei nestas frases de efeito, mas pela primeira vez na vida, querer não é poder.

Nessa nova jornada de mudança pra Manchester, pesquisamos por mais de um mês um teto que pudéssemos pagar acomodasse nossa família completa: eu, marido, as crianças e o Marvin. Nem mesmo oferecendo mais pelo aluguel as pessoas se sensibilizaram.

Até que conseguimos uma casa, linda, longe (a 50km de Manchester), no limite do nosso orçamento, adiantando 6 meses de aluguel, pagando taxa extra para receber o Marvin e… Estaria tudo certo, se Continue a ler No pets allowed

Cidadania Portuguesa: Não basta ter direito, tem que ter sorte

No ritmo de organizar a nossa vida para Manchester, temos feitos várias pesquisas sobre o que é preciso para viver lá e descobri que tudo seria ultra mega mais prático se eu fosse portuguesa.

Então fui correr atrás do meu advogado pra saber o ponto de situação do meu processo de aquisição da cidadania portuguesa.

Lembrando que eu dei entrada no pedido no início de 2012, e tive resposta negativa em 2013 alegando que eu tinha apenas marcado um “x” na caixa referente a “tem ligações com a comunidade portuguesa”, mas não provei que tenho ligações.

Nosso advogado nos orientou entretanto que não deveríamos provar nada, quem tem que provar que eu não tenho direito é  Ministério Público. Então fomos para a 1ª Instância. Eis o ponto que ele diz isso no processo: Continue a ler Cidadania Portuguesa: Não basta ter direito, tem que ter sorte

De Portugal para a Inglaterra

Como disse antes, amo Lisboa. Sou muito feliz aqui.
Mas infelizmente, a economia e a política do país hoje não está favorável para que eu consiga ter o padrão de vida que almejo para os meus filhos.

E devido a alguns acontecimentos recentes no mercado de trabalho do meu marido, a oferta de trabalho tem vindo a cair e chegou num ponto que não vai dar para sermos auto sustentáveis a curto prazo.

Acho que a crise em Portugal estagnou, mas ainda estamos em recessão. Vai levar alguns anos para que voltemos a crescer, e até isso acontecer, não vejo lógica em continuar aqui. Emocionalmente eu não tirava mais o pé daqui por nada, mas pensando bem…

Eu estou afastada do mercado de trabalho e assim estou desde o 4º mês de gravidez da Olivia. Quero voltar em breve, mas a matemática não tem feito muito sentido: para eu trabalhar, preciso colocar minha filha na creche. O ordenado que ultimamente estão oferecendo não está muito acima do mínimo (na verdade, a maioria paga o mínimo e ponto final), e o valor da mensalidade da creche é quase o ordenado mínimo.

Portanto, trabalhar para ficar na mesma não compensa. Lógico que seria ótimo pra Olivia estar num ambiente com outras crianças, pra socializar, mas temos que pensar de forma mais prática.

Então, aproveitando as vantagens de existir o Espaço Economico Europeu (EEA), decidimos hoje imigrar mais uma vez. Não voltaríamos para o Rio, porque em termos financeiros ia ser pior do que continuar aqui.

Pensamos e ponderamos: know how, idiomas que falamos, mercado de trabalho, educação, custo médio moradia, saúde, segurança, custo de vida (manutenção casa e alimentação) e chegamos a conclusão de que Manchester é o nosso próximo porto.

Ainda estou pesquisando sobre tudo e mais alguma coisa, afinal, já estive 3 vezes em Londres, mas nunca em Manchester, e o mais sensato que uma pessoa que quer imigrar deve fazer é pesquisar a respeito antes de sequer começar a fazer as malas.

A nossa maior preocupação é a adaptação do nosso filho, e tenho recorrido a alguns blogs pra ter informações.

Conforme eu conseguir respostas sobre a burocracia para imigrar, partilho por aqui.

Por agora, eu digo apenas que vou ter imensas saudades de Lisboa. Estará sempre na minha vida e no meu coração.

Novos planos no forno…

Por agora não consigo dizer muito mais, mesmo porque não há nada definido 100%. Ok, digamos que temos 70% de definição 🙂
Posso apenas dizer que sou muito feliz em Lisboa e adoro muita coisa aqui, mas tudo na vida é um ciclo e eu e meu marido chegamos a conclusão que este ciclo chegou ao fim.

Temos que galgar novos desafios e pensar que qualquer sacrifício será sempre em prol do que há melhor na nossa vida: nossos filhos.

Em breve, novidades.

Uma nova história de amor

Depois que a Luka adoeceu meu marido achou que não conseguiria ter outro cão tão cedo. Todos nós éramos super apegados a ela, mesmo porque era a primeira vida que nós dois nos tornamos responsáveis. Era a nossa filha mais velha.

Nota: Não me interpretem mal, já discuti e bati boca com muita gente por declarar que meus cães são meus filhos e se alguém que esteja lendo isso não gostar, paciência. Os cães são meus, a vida é minha e eu os chamo como eu quiser.

A dor de ver a nossa cachorrinha definhar tão rápido, com uma doença ingrata e sem cura, e que devido a sua imensa doçura não fazíamos ideia do tamanho do seu desconforto, nos foi muito difícil decidir o dia de por um fim a esse sofrimento. O dia “D” chegou, e até o último minuto eu tive esperanças do veterinário nos dizer que afinal tinham se enganado no diagnóstico e que ela ia ficar boa. O corpo dela nos mostrava o oposto, mas eu tinha dentro de mim uma necessidade de acreditar que ela ia ficar com a gente por mais uns 10 anos. Infelizmente, os médicos não se enganaram. E 10 minutos depois de chegar ao veterinário, eu morri um pouco por dentro. O que eu senti Continue a ler Uma nova história de amor

Xenofobia ainda existe?

Nota: Texto desaconselhado para pessoas sensíveis a vocabulário de baixo calão
E a resposta é… Sim.

Triste, mas é verdade. Esse assunto veio a tona nos meus feeds do facebook e clicando aqui, clicando ali, apareceu a matéria fonte da informação. Confira-a aqui.

Mas isso não é exclusividade de Coimbra não. E muito menos de brasileiros. Ou de mulheres. Nem dos imigrantes africanos.

Homossexuais sofrem demais. Eu não fazia ideia até conversar com uma amiga minha que é gay.

Eu lhe disse que não Continue a ler Xenofobia ainda existe?

Criar laços e atar nós

Vida de imigrante é assim: você decide mudar de país e as pessoas fazem um drama, dizem que você é maluco, que não vai aguentar, mas que deseja sorte.

Reaparecem pessoas na sua vida que antes não te procuravam porque você morava no subúrbio (sim, porque você é você, mas o seu bairo… poxa vida…), e querem ficar suas amigas porque agora você vai pra fora do país (o famoso “tá fazendo isso porque enricou”).

Aí você chega na sua nova terrinha, tá se ambientando, enfrentando toda a dificuldade e pontos de interrogação que surgem na sua frente e quando se comunica com quem ficou lá na cidade de origem só ouve Continue a ler Criar laços e atar nós