Arquivo da categoria: Desabafo

E 2012 finalmente chegou!!

Ontem, pra variar, fazia um dia lindo de inverno em Lisboa, e apesar de ter um cardápio complexo pra fazer pra ceia de reveillón, meu lindo marido me convenceu a dar uma voltinha pelo parque. Não com com um barrigão muito avantajado ainda, tô chegando a meio da espera pra segurar meu baby no colo, e todos os médicos e livros recomendam uma rotina de exercícios leves para todas as gestantes. Porque não ir? Continue a ler E 2012 finalmente chegou!!

Ênclises ou êncli-ses?

No meu trabalho atual eu vejo a escrita de inúmeras pessoas, e tento não fazer caras e bocas quando vejo um erro grotesco de português.  Eu não sou perfeita, mas minhas notas em português e comunicação eram ótimas, sempre tive excelente avaliação em redação, e acho que levo até um certo jeito pra coisa, senão não teria um blog.

Mas eu tenho reparado num erro comum: verbo ou pronome?erro_enclise02

As pessoas estão com dificuldade de distinguir se é uma ênclise ou se é um verbo no pretérito perfeito do indicativo.

Pra quem não sabe exatamente o que é uma ênclise, vou apresentar a família completa, usando como cobaia o verbo “dar”.

Próclise: pronome antes do verbo. Exemplo: Te darei.

Mesóclise: pronome no meio do verbo. Exemplo: Dar-te-ei

Ênclise: pronome no final do verbo. Exemplo: Darei-te

O Brasil tem uma linguagem mais fã das próclises e aqui em Portugal as pessoas fazem mais ênclises, só que nem sempre fazem direito… e confundem com o pretérito perfeito do indicativo. É que aqui usamos o tu como tratamento informal, como se faz em espanhol. Você é formal, tu é informal. E por utilizarem o verbo de acordo com o pronome, acontece essa confusão.

Não entenderam? Então é assim:

Alguém quer tecer algum comentário sobre o visual novo de um amigo. E quer perguntar se mudou o visual. Verbo “mudar” e a pergunta sai assim: “Mudas-te o visual?” quando deveria ser “Mudaste o visual?”.

E isso acontece mais do que eu esperava. É constante. As pessoas não sabem que o TE faz parte do verbo e não é um pronome!!

Ainda não acredita? Vamos ver se essa pequena amostra daquilo que eu vejo no trabalho faz você entender meu desespero:

(Nota: por razões de confidencialidade, o nome do remente e da empresa que eu trabalhava e a que eu representava foram excluídas).

erro_enclise03

erro_enclise04

 

 

 

E esse aqui é o melhor de todos:

erro_enclise00

Eu sei que pareço louca e obcecada com isso, mas sou apaixonada pela língua portuguesa, sempre fui, e aqui eu vejo muitas mesóclises e isso é apreciado por qualquer pessoa que gosta da língua mãe, e ouvir isso no cotidiano é raro pra um brasileiro que sempre achou esquisito nas provas ter que preencher lacunas com mesóclises ou ênclises, já que fazemos somente próclises. A decepção acontece quando deparamos com a escrita e descobrimos que é pura ilusão, as pessoas não sabem o que estão falando, não sabem se conjugam ou se alocam o pronome, e isso me fez ter vontade de escrever. E então alguém que me conhece vai ver esse post e me mandar uma mensagem perguntando: “Enloqueces-te?” e eu vou surtar de vez.

Entendem a diferença da mensagem?

Enloqueceste =  você ficou maluca?
Enloqueces-te = é um imperativo, me ordenando a ficar maluca

Falaste, mudaste, reclamaste, comeste, disseste, apareceste, viveste, viajaste, foste, aprendeste… É a lista de verbos que eu já vi terem sido negligenciados em facebook, em emails, em sms, no trabalho.

Triste, não?

Comida no lixo

Há 5 meses trabalho num call center de uma grande operadora de celular (telemóveis) e, como em todo call center, é muita gente trabalhando, ganhando pouco, precisando economizar, logo, levam almoço pro trabalho.

Eu também levo porque uni o útil ao agradável: economizo na refeição e também escolho o que eu quero comer e que vai me fazer bem (a comida das tascas e cafés da região é cheia de gordura, tempero sem graça, meio esturricada, etc) porque além de ter um paladar super apurado, meu estômago é muito sensível e basta um pouquinho mais de gordura e pronto… omeprazol, bromoprida, dimeticona e floratil. Na Páscoa tive infecção intestinal por causa de uma pizza de cogumelos… dá pra ter noção de como sou sensível, né? Continue a ler Comida no lixo

Manter amigos, no Rio de Janeiro…

Pouco tempo atrás escrevi um post sobre fazer amigos aqui em Lisboa. E essa semana eu me deparei com uma situação extremamente decepcionante e desagradável, e me fez pensar nos amigos que deixei no Rio, cidade onde nasci e fui criada toda a minha vida.
Lembrei de situações em que a dedicação que tive como amiga foi totalmente descartada de uma hora pra outra, e a sensação de ter sido usada é péssima. Continue a ler Manter amigos, no Rio de Janeiro…

Sumida

Olá, pessoal…

Sei que estou em falta com vcs, sumi do nada, e não foi por que arrumei emprego…
Foi pq perdi a motivação pra escrever.
Aconteceram diversas coisas que me deixaram meio pra baixo, perdi totalmente a inspiração.

Consegui um emprego somente agora, em Novembro, e está indo muito bem, obrigada.
Peço desculpas a vcs, e pretendo recuperar a vontade de escrever em breve.

Abraços a todos.

Eu como no Burger King

Sempre tive vontade de experimentar sanduíches do Burger King. Apaixonada por fast food que sou, sempre ouvi falar desta rede de fast food, e sinceramente… falar muito bem.

A carne dos hamburgers não são feitas na chapa, e sim numa grelha, estilo “barbecue”, que dá um sabor incrível ao sanduíche. Continue a ler Eu como no Burger King

Revolta cibernética

Hoje faz um dia lindo em Lisboa. O céu está azul azul azul, sem nenhuma nuvem pra estragar o visual. A temperatura está super agradável, cerca de uns 27ºC com uma brisa fresca. Então eu fiz o meu desjejum (porque ao meio dia não pode ser um pequeno almoço), liguei o meu notebook pra ver meus e-mails (ainda estou na caça ao emprego) e me candidatar a mais algumas vagas e em seguida me arranjaria pra dar uma volta pelo parque da cidade, na beira do Tejo.
Quando comecei a ler meus e-mails tinha um cujo assunto era: “Brasil”.
Tratava-se de um powerpoint, com aquelas animações irritantes e com um conteúdo inaceitável. Sei que a vontade de passear se foi e ficou a vontade de escrever de volta pro autor do powerpoint. Continue a ler Revolta cibernética

Eleições Municipais 2008

Passadas as eleições municipais, posso agora falar à vontade.
Cheguei a pensar que a candidatura para vereador era na verdade um concurso de horrores. O horário político chegava a ser cómico, mas no fundo, era trágico.
Pesquisei o nome de alguns candidatos, se é que pode-se chamar a isso de nome…

Em Teresina – PI
Trocim
Véia
Carne assada
Pirulito
Carlinhos Vassoura
Pé quente
Paulinho Cabeça Branca
Sassá
Tererê
Vovozinha
Quem Quem
Parrela

Este último tem um bordão bem peculiar: “se eu for eleito não faltará alimento nem arroz, nem carne na sua panela”.

Em Caxias, RJ, outras pérolas e suas pérolas:
Sandro Gordo – um vereador de peso
Marilda – de mulher para mulher (será que as lojas Marisa sabem disso?)
Keit Marrone – a loira da saude, mulher no poder, que tal votar pra ver?
Cleo – sou candidata pela primeira vez e é cléo neles
Zé luis da farmácia – de trás pra frente, de frenta pra tras 14641, luiz da farmacia fez e vai fazer muito mais

Outros apareciam fantasiados, como super heróis… Palavras não são suficientes para descrever, então entre no Youtube, pesquise por “vereador 2008” e… sofra.

Além desse horror show, algumas notícias me põe a questionar a índole dos políticos deste país:

Uma eleitora em Canoinhas (SC) tentou registrar em cartório a venda do seu voto e de mais 10 parentes (receberia combustível para o carro se votasse em determinado vereador).
Mais assustador é descobrir que este vereador, cujo nome está sendo preservado para investigações da Justiça, disse que para receber o dinheiro os eleitores deveriam procurar um órgão para ter uma autorização legal pra transação…

Voltando ao Piauí: o filho do vice-prefeito do município José Freitas foi espancado por 40 cabos eleitorais de um candidato rival.

No site da Folha de São Paulo havia uma relação de todos os candidatos, inclusive o respectivo perfil. Já tiraram a página do ar, mas tive o cuidado de consultar alguns antes das eleições e pasmei com a quantidade de gente que quer assumir um cargo público, para elaborar projetos de melhoria e que não possui nem mesmo o ensino fundamental concluído, ou seja, não têm o mínimo de escolaridade.

Descobri ainda que a Lei pede apenas que não seja analfabeto. No Brasil a classificação de analfabeto limita-se ao indivíduo que não sabe escrever o próprio nome. Se souber escrever o próprio nome, não é mais analfabeto. Sim, é um absurdo.

Como pode??
Alguns são funcionários públicos, e me pergunto se, quando eleitos, abrirão mão do emprego público? Conseguirão dedicar-se totalmente às atividades na Câmara de Vereadores? E ao mesmo tempo não deixarão de lado suas obrigações com o cargo que ocupa no serviço público?

Outros candidatos têm a cara de pau de se declararem empresários ou comerciantes com patrimônio inferior a R$5.000,00. Se o indivíduo é empresário, logicamente ele tem uma empresa. Essa empresa tem capital social menor que R$5.000,00?
E a conta do banco dele? Ele tem dinheiro pra entrar na vida política mas não tem um carro, nem um fusquinha?

Em particular, gostaria de citar um candidato cuja campanha eleitoral ecoa pelo bairro onde moro.
Me refiro ao Meireles (11122).
Seu jingle é tocado num carro de som, pelo menos umas 10 vezes ao dia e é uma releitura do funk da Perla: tchuratchurum, tchuratchurum, meireeeles, meireeeeeeelis…
No site da Folha diz o seguinte dele: 62 anos, solteiro, ensino fundamental incompleto (traduzindo: ele nem terminou o 1o. grau, que são 9 anos de estudo), patrimonio declarado: R$150.000,00
Depois das eleições acessei o G1.globo.com para saber a “aceitação” deste candidato: ele teve 5.427 votos.

Fiquei entusiasmada e chocada com o que estava lendo na Folha, então fiz uma pesquisa dos candidatos a vereador do PV. São no total 48. Escolhi este partido porque eles decidiram não fazer propaganda com panfletos para não sujar as ruas e principalmente porque não são muitos. Acessei o perfil de cada um.
O resumo está assim:
Homens 39; Mulheres 9
10 homens trabalham para as forças armadas,3 são empresários, 3 estudantes, 2 estudantes, 2 funcionários públicos.
Apareceram algumas profissões/ocupações bem peculiares: catador de recicláveis, carpinteiro, locutor de rádio, jornaleiro e uma com a categoria “outros”. Fiquei curiosa com esta categoria.
Na distribuição de escolaridade temos apenas 21 com superior completo, de acordo com o site.

Minha surpresa maior veio depois das eleições: os votos que receberam, a considerar a escolaridade (somatório):
Fundamental incompleto: 972 votos (1 candidato)
Fundamental completo: 3954 votos (6 canditados; média por candidato: 659 votos)
Médio incompleto: 1884 votos (3 candidatos; média por candidato: 628 votos)
Médio completo: 2396 votos (8 candidatos; média por candidato: 299,5 votos)

Isso aponta que, quanto maior a escolaridade, menor a quantidade de votos.
Oiça lá, eu não estou a desmerecer a pessoa que não concluiu o 1o. grau, deve ser de excelente índole, mas achas que terás condições de identificar o melhor para o município na câmara?
Penso que pelo menos o ensino médio (12 anos de estudo) deveria ser concluído, já que nem todos têm a oportunidade de entrar numa faculdade pública devido a dificuldade do concurso de vestibular, e muito menos pagar uma faculdade particular, pois os salários pagos no Brasil são muito baixos e as mensalidades dos cursos são demasiado caras.
As regras estão erradas, deveria ser revisto, mas… será que realmente há o interesse?
E… será que as pessoas que votaram nesses candidatos que não concluiram os estudos até o ensino médio sabem disso? Pior: será que se interessam por isso?

Triste, né?

Hipocrisia, preconceito ou o quê?

Acordei mais ou menos umas 9 da manhã, estava passando o jornal da tarde na RTP (claro, aqui no Brasil o fuso é de +4) e no intervalo veio uma chamada para um programa que fala sobre filhos de pais homossexuais. Achei uma discussão interessante, porque a união entre pessoas do mesmo sexo ainda não é reconhecida em Portugal. Continue a ler Hipocrisia, preconceito ou o quê?