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“Vou para Portugal porque as leis trabalhistas aqui ficaram ruins”

Pessoal, tenho lido isso em alguns comentários no facebook, de amigos, de conhecidos, em posts de artigos ou aqueles “prints” que fazem e compartilham.

O que me fez aqui adiantar o assunto foi uma pessoa que comentou no post de uma amiga “quero um avô português para me dar cidadania e eu ir embora para Portugal”.

Primeiro: pelo avô é nacionalidade, não cidadania. Continue a ler “Vou para Portugal porque as leis trabalhistas aqui ficaram ruins”

Chegando no Canadá – Voo + imigração

Oi pessoal, finalmente cheguei no Canadá!!! \o/ \o/

Cheguei em Vancouver no sábado (22/04) depois de quase 24h de viagem. Fiz Rio-SP-Tor-Van pela Air Canada. Vamos lá que irei contar como foi a vinda e a imigração quando cheguei.

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Café oferecido pela Air Canada

Primeiro vou contar como foi viajar pela Air Canadá. Foi a primeira vez que viajava por essa companhia e gostei bastante, tanto dos funcionários quanto dos aviões. Meu voo de São Paulo para Toronto levou 10h, mas como tinha entretenimento nem senti tanto. Vi vários filmes, inclusive La La Land, que estreou no início do ano. O próximo voo, de Toronto para Vancouver, também foi tranquilo e possuía TV, porém achei meio longo, quase 5h, mas fazer o que?! Vancouver é realmente longe. Sobre o serviço de bordo, no primeiro voo foi oferecido jantar e café da manhã (ok como de todas as companhias) e o segundo voo ofereceram um cardápio que você poderia comprar um lanche, não comprei nada, achei muito caro. hahahah. 10 dólares um sanduíche e um suco. Let´s save money porque Vancouver não é uma cidade barata, mas isso é papo para outro post.

Agora vamos a parte principal, passando pela imigração.

Quando você vem pela Air Canada (existem também opções de companhias americanas e mexicanas que vêm para Vancouver) obrigatoriamente deve-se fazer a imigração em Toronto. Essa é a parte mais IMPORTANTE da sua viagem, fiquem atentos, pois é lá que você pega seu Student Permit e Work Permit, sem isso você NÃO CONSEGUE TRABALHAR. Inclusive conheci uma brasileira hoje na escola que não pegou porque foi mal orientada pela consultara que não explicou esse detalhe, ela teve que ir na fronteira dos Estados Unidos pegar os dois permits. So let´s keep in mind, please!

Assim que cheguei passei pelo agente de imigração que só me perguntou o que de comida eu havia trazido, já que havia marcado X no cartão de declaração de bens e comida/bebida que recebemos ainda no avião para preencher. Nesse documento, você deve coloca seus dados, como nome, passaporte, número do voo, quantos dias vai ficar, endereço, etc. Expliquei que trouxe café em pó e foi somente isso. Como não sou boba nem nada, já perguntei sobre meus permits e ele me orientou a pegar em uma sala com outro agente. Lá fui eu!!! Depois de uma pequena fila, apresentei os papeis da escola e as cartas que havia recebido do governo canadense quando recebi o visto. Ao todo, foram 5 documentos. O agente preencheu algumas informações no computador e uns 10 minutos depois me deu os Student Permit e Work Permit, novamente sem fazer nenhuma pergunta. Saí de lá feliz da vida, mas a saga continua!

Em seguida fui pegar minha mala para desembarcar. Passei pela alfândega, onde você entrega aquele papel que recebeu e preencheu no avião, mais uma vez o agente não me questionou em nada. Achei até estranho, pois havia marcado que estava trazendo comida. Então, a minha dica é: Não minta, não tem motivo. Não há problema nenhum em trazer alguns alimento , bebida, cigarro e outras coisas (aqueles permitidos, é claro), apenas marque sim e você não terá problemas e nem uma multa de quase mil dólares para pagar.

Depois de pegar minhas duas malas (super dica, o carrinho para carregar mala é de graça \o/ na maioria dos países ele é pago) fui embarcar novamente. Achei bem fácil o aeroporto, haviam várias placas explicando seu caminho para embarcar pela Air Canada, então não tive dificuldade. Despachei minha mala de novo e depois fui embarcar.

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Aeroporto de Toronto assim que você passa pelo raio x

Passei de novo por aquele processo do raio x e surpresa!!! Quando eu passei pelo detector de metais ele apitou, achei estranho, pois não estava com nada, aí a agente falou que fui sorteada aleatoriamente para ser revistada. Tá né, fazer o que!? Foi uma mulher que me revistou e ela foi super educada. Primeiro ela perguntou se eu preferia ser revistada por ela ou pela máquina, eu falei tanto faz, porém ela falou alguma coisa, que na hora não entendi direito, mas acho que foi por causa das minhas tatuagens, que teria que me revistar com as mãos. Enfim, parece aquelas revistas policias, nada de mais. Depois disso, enfim fui procurar meu portão  de embarque.

Chegando em Vancouver também achei super simples sair do aeroporto, bem explicativo sobre os meios de transporte. Contudo, não peguei transporte público. Aluguei um quarto no Airbnb e o casal que está me hospedando se ofereceu para me buscar, uns fofos e super simpáticos (mais para frente posso falar sobre como é ficar em um Airbnb).

Acho que é isso. Foram mais de 20h cansativas de viagem, mas que valeram a pena. Estou apaixonada por Vancouver! 🙂

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Chegando em Vancouver

 

Beijos,

Alinne Rodrigues – @alinnear

Como escolhi minha escola no Canadá – Greystone College

Como prometi no meu último post, link aqui, vou contar um pouquinho sobre a escola que irei estudar, a Greystone College.

Minhas aulas já começam na segunda-feira (24/04) e estou mega ansiosa e animada, mas vamos lá que vou explicar alguns detalhes que me fizeram decidir por ela.

A minha primeira etapa foi escolher qual curso combinava comigo, não queria fazer um apenas para ir para o Canadá, queria um que agregasse conhecimento à minha carreira na área de Comunicação. Havia ficado em dúvida entre dois cursos, ambos de colleges particulares (também explico a diferença entre particular e público no meu outro post). O primeiro foi na Canadian College, o de Social Media Marketing. Ele realmente me encantou, gostei bastante do conteúdo, adoro trabalhar com social media, porém fiz minhas contas e ele não entrava no meu orçamento, mesmo sendo mais barato que o college público.

Minha caçada não terminou, é claro! Depois de muito Google, achei a Greystone College. Foi aí que descobri o curso de Business Communications. Comecei a olhar a grade dele e realmente gostei. Fui atrás de feedbacks sobre o college e muitos falavam que ele não era indicado para quem já era fluente ou estava em busca de algo mais técnico ou profissional. Contudo, como já falei anteriormente, meu inglês não é fluente, ele é avançado, compreendo bem, assisto seriado sem legenda, mas acredito que não seja o ideal para trabalhar na minha área, esse é o meu verdadeiro objetivo. Outro motivo que me fez decidir por esse curso, foi a opção de co-op, que nada mais é do que o período de estágio full-time na área que você estudou após finalizar o curso (lembrando que eu posso trabalhar part-time enquanto estudo). Ótimo, né? 😉

Vamos a lista de alguns motivos que gostei do curso:

  1. Posso trabalhar enquanto estudo;
  2. Vou aprender o inglês do mercado de trabalho;
  3. O curso tem relação com a minha área de formação. Além de contribuir com a minha carreira, o agente de imigração teria uma maior probabilidade de aprovar meu visto. Imagina eu aplicar para um curso de Nutrição com formação em Comunicação Social. Minha carta de intenção teria que está muito bem escrita e explicadinha o porquê de fazer um curso totalmente diferente;
  4. Vou fazer um estágio na minha área;
  5. Acredito também que ele seja a porta de entrada para um college público. Já que estando no Canadá, tenho outras opções de colleges públicos que posso aplicar e nesse período vou vê se me adapto ao país;
  6. Por último, mas não menos importante, o valor. Menos de 10 mil dólares e ainda consegui pagar em 10 vezes (hoje o valor está um pouco mais de 10 mil CAD). Como não amar o parcelamento brasileiro?! hahahah

Aqui embaixo compartilho minha grade do curso, mas vocês podem entrar no site da escola e ver qual programa se encaixa mais com você. Tem um de Tourism & Hospitality que achei bem interessante e já trabalhei em hotel quando morei nos EUA, mas preferi optar pelo de BC.

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Em breve irei fazer um post contando mais sobre a escola, as aulas, os professores, meu estágios, etc.

Beijos, 

Alinne Rodrigues – @alinnear

 

Canadá: Por onde comecei

Quando comecei a pesquisar países que davam visto de trabalho para brasileiros, o Canadá me chamou logo atenção. Entre as minhas opções, também estavam Austrália, que eu já havia morado, e a Nova Zelândia, que já conhecia.

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Robin Scherbatsky

Ainda não tive a oportunidade de passar uns dias no país da Robin (quem assistiu How I Met Your Mother me entende), então decidi pesquisar sobre essa possibilidade de visto de trabalho para brasileiros, não deu outra, me apaixonei. Aliás, como não se apaixonar por aquelas paisagens dos lagos azuis? ❤

Então surgiu a dúvida, por onde começar?

Comecei a pesquisar em diversos blogs, sites, Youtube, grupos do Facebook e o próprio site do governo canadense, o CIC. Com isso, entendi que eu precisaria estudar – fazer um college (parecido com o nosso tecnológico), pós-graduação ou mestrado – para conseguir trabalhar. Descobri também que curso de inglês não oferece visto de trabalho. Então vamos lá que vou começar a contar minha saga.

Tudo começou em 2015 quando eu já havia iniciado meu curso de pós-graduação em marketing, então de cara já descartei essa modalidade de curso e o mestrado, que também não me interessava. Então, comecei a a pesquisar os colleges e descobri o grande X da questão, a diferença entre as instituições públicas e privadas.

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Os colleges públicos na modalidade full-time oferecem a oportunidade de você trabalhar após o termino por até o mesmo período que você estudou. Por exemplo, seu curso tem duração de dois anos, após a conclusão você pode conseguir o visto por até mais dois anos. Lembrando que mesmo fazendo o college público o PGWP ( Post-graduation Work Permit) não é 100% garantido, mas são poucos casos que não conseguem. No site do CIC (que está em inglês) você encontra todas as informações. Nesse outro link você consegue entender se você está elegível para o PGWP. Além disso, durante o curso você pode trabalhar part-time. Ai você pensa, que maravilha!

Contudo, para ingressar na instituição pública, que mesmo tendo esse nome não é de graça, você deverá fazer prova de proficiência em inglês, como o Ielts, e desembolsar uma boa quantia. Mas não vamos desanimar, né?! 😉

Eu não tinha todo esse dinheiro, só o college público gira em torno de 30 mil dólares canadense, e eu acreditava que meu inglês não seria suficiente. E agora? Foi ai que descobri o tal do co-op de um college particular, a Greystone College,  mesmo sabendo que ele não me oferecia o PGWP.

Antes de procurar qualquer agência de viagem, eu pesquisei muito, li diversos sites, entrei em contato com blogs e pessoas que moravam em Vancouver, etc. Acredito que essa pesquisa pessoal que faz a diferença. Quando entendi que o curso se encaixaria no meu orçamento, comecei a fazer meu planejamento pessoal e financeiro.

A minha dica para quem está começando agora é pesquisar muito (tô aqui para ajudar com o que aprendi) e ter paciência. Vejo muitas pessoas sem esperança pela atual situação do nosso país e quererem se mandar, mas, infelizmente, não tem como ser do dia para a noite. Vejam qual curso combina com você e que se encaixe no seu orçamento (prometo fazer um post com uma lista de colleges em Vancouver).

Depois de tudo que pesquisei, acredito que imigrar através dos estudos seja a melhor forma. Não é fácil, é demorado, requer em torno de uns 50 mil reais (vou explicar esses gastos mais para frente), mas quem tem determinação não desiste.

No próximo post irei contar sobre a Greystone College: Porque esse college , qual curso escolhi, valores que gastei, o que precisei para ser aceita, etc.

Espero que eu tenha conseguido dar uma luz de por onde começar. Caso alguma informação não tenha ficado clara ou não esteja correta, podem me avisar! Tudo que escrevi foi o que pesquisei com muito carinho e aprendi nesses dois anos.

Beijos,

Alinne Rodrigues – @alinnear

Um novo (re)começo

Antes de começar a contar sobre meu processo de imigração para o Canadá, quero me apresentar e falar um pouquinho como cheguei aqui.

Meu nome é Alinne, tenho 26, sou jornalista e prima da criadora do BanhodeChuva. Nunca fomos a família de comercial de margarina, como a maioria também não é, mas sempre fomos bem próximas e amigas, mesmo com 10 anos de diferença entre a gente. Entre nossas idas e vindas por diversas cidades, sempre tivemos um Skype para nos salvar. Sou apaixonada por viagens e antes de decidir imigrar para o Canadá, eu morei na Austrália e nos Estados Unidos.

O Banho de Chuva representa muito quem eu sou, nunca tive medo de arriscar e me molhar. Quando defino uma meta ou projeto, entro de cabeça, corpo e alma. Além disso, escolhi uma cidade que chove, chove muito: Vancouver.

Prazer, Alinne
No Blog, vou compartilhar como se virar em outro país, mas sem filhos e marido. Quero contar sobre o meu tipo de visto, como escolhi a escola que irei estudar, sobre emprego, moradia, vida saudável em outro país (recentemente passei por uma reeducação alimentar sem neuras e maluquices e emagreci 10kg, mas vou contar mais para frente), viagens, entre outros diversos assuntos ligados ao Canadá.
Mais informações no meu perfil e no meu Instagram @alinnear .

Beijos,

Alinne

Morar em Portugal: vale a pena?

Depois de mais de um ano afastada dos posts, por motivos de desmotivação maior – já vos conto do meu novo paradeiro e porque decidi fazer essa mudança – e com mais de 200 e-mails, sem exagero, com eufemismo, pra responder (recebidos no canal “Fala que eu te escuto”), acho que esse post pode ajudar a esclarecer a maioria das dúvidas que me são enviadas: Continue a ler Morar em Portugal: vale a pena?

À deriva. Drifting away.

Ano: 2015.
Dia: o último dele.
Este ano que começou levando embora a minha Luka e termina me tirando sonhos.
Ano que me tirou de Portugal.
Ano em que meus planos em Manchester não foram pra frente.
Ano que tive que me sentir completamente a mercê de um mundo capitalista sem poder fazer absolutamente nada em relação a isso.
Ano que entendi porque a Inglaterra é um dos melhores lugares pra se viver e porque todo mundo quer vir morar aqui, e as consequências disso. Competição com a fasquia elevadíssima, somos mais um no meio da multidão.

Ano que terminou sem me deixar fazer planos.
Ano que se vai sem deixar saudades.

Meu desejo para 2016?
Seja melhor.
Seja melhor que 2015.
Seja mais feliz do que 2015.

Meu desejo para as pessoas em 2016?
Sejam melhores que vocês eram em 2015.
Sejam mais felizes que em 2015.
Reclamem menos do que não vale a pena. Reclamar do calor não vai resolver. Reclame que não há ar condicionado em transporte público. É mais coerente. Não reclame que o sol tá rachando o côco. Reclame que a rua não é arborizada.

Faça valer o seu direito de reclamar pelo seu bem estar e pelo bem estar do próximo.

Desejo que em 2016 as pessoas se lembrem que o seu direito termina quando começa o do outro.
Que as pessoas lembrem que cada um tem direito a opinião. Mas também tem o direito de respeitar e de ser respeitado.

Desejo que em 2016 as pessoas tenham mais consciência.
Desejo que em 2016 haja menos hipocrisia.
Desejo que mais pessoas vejam esse vídeo e reflitam sobre ele.

O que vale mesmo são os afetos.

Feliz 2016.

 

Sem comunicação

Leitores queridos que estão a espera de de uma resposta: Não esqueci de vocês, mas o Windows 10 esta fazendo um complô.
Meu computador nao inicializa e eu definitivamente não consigo escrever como gostaria pelo celular/telemovel.
Peço desculpas sinceras pelo tempo que estão a espera de um sinal de vida meu. Mas pode ser que demore mais uns dias.
Entretanto, se alguém tiver feito upgrade pro Windows 10, tenham em atenção ao arquivo mfewfpk.sys e, até onde li em fóruns, esta relacionado com o Windows Defender.
Ele é o motivo da minha dor de cabeça.

10 itens para pensar antes de fazer as malas

Enquanto estamos na incerteza do nosso futuro me ocupo fazendo planos, estudando viabilidades e possibilidades.
Pelas regras da União Europeia podemos viver em qualquer país que faça parte do acordo do Free Movement Right, mas isso não significa que é apontar o dedo no mapa e colocar o pé na estrada. Existe uma lista de coisas que tem que ser levada em consideração antes de fazer um movimento.

Por exemplo, como eu não tenho nacionalidade europeia, mas meu marido sim, ele tem que primeiro ter um emprego para que eu peça a autorização de residência. E para eu pedir a autorização de residência, tenho que preencher alguns pré-requisitos que variam de país para país.

E além desse pequeno importantíssimo detalhe, existe uma série de coisas que se deve pesquisar antes de decidir mudar de país. Como estamos neste ritmo de ter que estar preparado para onde o vento nos levar, já faço pesquisas de coisas específicas, e certamente não são iguais para todos os países do território da UE.

Não vou fazer a pesquisa pra todos e colocar mastigadinho aqui, porque é impossível fazer isso sem estar no lugar e confirmar se é isso mesmo (nada me irrita mais que informação incorreta). Mas vou deixar aqui um check list pra que você faça a pesquisa no país que te interessar, caso esteja nos seus planos uma mudança.

  1. Moradia: pesquise primeiro por “melhores regiões para se morar em (…)” e a partir daí pesquisa “renting in (…)” e veja o tipo de habitação disponível. Apartamentos, casas flats, mobiliado, não mobiliado, distância do centro/local de trabalho, acesso a transportes.
  2. Condições para alugar: é preciso fiador? Aceita-se carta de recomendação do senhorio anterior? Carta do trabalho confirmando que tem emprego? Contrato de trabalho? Comprovativo do Imposto de Renda?
  3. Custos associados a moradia: no Rio de Janeiro temos o fatídico condomínio, que é um valor alto no custo de moradia. E também paga-se o IPTU fracionado. Em Portugal não há condomínio para quem aluga (geralmente é super baratinho e já está embutido no aluguel) e o IMI é por conta do proprietário. Na Inglaterra paga-se o city council, que é um imposto para quem está habitando o imóvel. Nele está incluído a taxa de coleta do lixo, limpeza da rua, iluminação pública. Além disso paga-se também a taxa de TV, que é um valor anual para quem tem TV em casa.
    Resumindo: pesquisar se tem custo de condomínio, imposto de moradia, taxa de moradia, taxa de coleta de lixo, taxa de TV.
  4. Transporte: carro ou transporte público? Dependendo da cidade que pretende morar, ou da distância da sua futura casa para a cidade/local de trabalho, tens que saber de antemão a melhor forma de locomoção e os custos associados a isso. Em Lisboa eu usava muito transporte público, mas também tínhamos carro. O seguro em Portugal é barato em comparação a média da UE (mas alto em comparação com o salário mínimo português), o valor do carro não é uma pechicha, mas é mais barato que no Brasil, mais caro que no UK. O seguro no UK é absurdo nos primeiros anos, mas não baixa das £500 mesmo depois de anos de bom histórico. Os transportes públicos em Lisboa nos levavam a todos os lados (além de serem excelentes – e há quem reclame!), em Londres eu nem senti falta de carro quando estive a passeio e morando em Manchester só senti falta do carro uma ou duas vezes. Faça uma pesquisa no google maps sobre a distância de lugares de interesse (escola, mercado, cinema, trabalho, hospitais, etc) e tente identificar a melhor opção pra transporte e o que cabe dentro do orçamento.
  5. Saúde: pública ou privada? O que o país oferece? No UK toda a saúde é pública, basta residir legalmente para se inscrever num centro de saúde, e a dedicação às crianças menores de 5 anos é algo fora do comum; Em Portugal existem as duas vertentes e os seguros de saúde não são tão caros, depende do que cabe no seu bolso e do que vc considera plausível. Na Irlanda toda a saúde é privada, mas vc tem que pagar um seguro de saúde obrigatório pra usar o seguro de saúde.
  6. Acesso a medicamentos: No UK até pra comprar anticoncepcional é necessário apresentar prescrição médica (emitida pelo NHS). Meu marido tem que tomar Levotiroxina Sódica todos os dias, pro resto da vida (por causa do câncer da tiróide) e aqui não vendem sem prescrição, mesmo sendo um medicamento inofensivo. Outros remédios como paracetamol, ibuprofeno vende-se até no supermercado, nas prateleiras. Em Portugal é mais fácil pra algumas coisas (anticoncepcional eu sempre comprei sem prescrição), mas alguns é mais restrito. No Brasil só tarja preta e alguns tarja vermelha precisa de receita. Então, se você usa anticoncepcional, é melhor se informar antes e, se for o caso, levar uma reserva com você, porque nem sempre medicamentos passam pelo controle postal. Por via das dúvidas, prepare um kit de primeiros socorros.
  7. Educação infantil: tem crianças? Qual a idade? Procure saber qual é a idade do ensino obrigatório. Em Portugal é aos 6 anos, no UK é aos 4 anos (inclusive tem fiscalização em cima). Se informe sobre quando tem que fazer a inscrição nas escolas, se tem custos, qual o critério pra inscrição em determinada instituição, a data limite para inscrição, etc. Lembre-se que no hemisfério norte o ano letivo começa em Setembro e termina em Julho do ano seguinte.
  8. Telecomunicações: preço dos serviços móveis, qual a melhor operadora, se é CDMA ou GSM (na Europa quase não tem mais CDMA, mas nos EUA ainda existe com uma certa força), o melhor tarifário, o custo dos serviços fixos (TV+Fone+Net), período de fidelização e respectiva multa rescisória, etc.
  9. Frete da mudança: se a casa não tiver mobília, compensa trazer a sua? Alguns países da Europa tem uma rede de mobiliário e decoração chamada IKEA. Relacione o que você levaria na mudança, veja o preço do mesmo no IKEA e faça as contas. Vale mais a pena vender o que se tem e comprar de novo? O frete + valor já investido em itens de casa (e as miudezas, porque no final o valor de itens de cama mesa e banho e utensílios de cozinha fica sempre maior do que imaginamos) compensa?
  10. Despesas de mercado. Vá ao google, pesquise os principais supermercados da cidade que vc vai mudar, entra no site deles e simule uma compra de semana. Alguns não tem loja online, mas tem o folheto de promoções. Faça uma lista e vá anotando. Eu uso o excel, coloco uma coluna com a moeda local, procuro a cotação no google , faço conversão e comparo com o meu custo atual. É um exercício não muito preciso (porque sempre tem as promoções, produtos que passamos a conhecer e as adaptações alimentares que são inevitáveis), mas dá pra se ter uma noção do impacto que a alimentação terá no orçamento.

Planejar com calma. Esse é o segredo para que sua mudança seja um sucesso. Levei dois anos pra colocar em prática a mudança do Rio para Lisboa. Era tanta gente preocupada com o que estávamos fazendo que até quando fui conversar com meu gerente na época, sobre a minha demissão, ele ficou preocupado em eu estar metendo os pés pelas mãos e me fez uma série de perguntas. Mas para alívio dele, eu tinha todas as respostas na ponta da língua. Faltava a bola de cristal pra saber o que nos esperava, mas preparada pra enfrentar o que viesse, com certeza eu estava.