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Retornar a Portugal

Resumo para quem chegou agora aqui pelo BanhoDeChuva: prazer, me chamo Carol, casei em 2006, fugimos da violência carioca em 2008, destino Lisboa, criei esse blog, tivemos um cão, dois filhos, perdemos o cão, em 2015 fomos pra Manchester, deu tudo errado, em 2016 voltamos pro Rio, arrependimento imenso, em 2017 tentamos fixar raízes em Curitiba e o coração não sossegou até voltarmos para o lugar que mais amamos no mundo no final de 2019.

Mas por que, Carol?

É… gostaria de ter mais dificuldade em responder isso, mas foram tantas motivações que até me assusto ao me dar por isto. Enumero abaixo as razões que se acumularam, não que elas tenham acontecido exatamente nesta ordem:

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10 itens para pensar antes de fazer as malas

Enquanto estamos na incerteza do nosso futuro me ocupo fazendo planos, estudando viabilidades e possibilidades.
Pelas regras da União Europeia podemos viver em qualquer país que faça parte do acordo do Free Movement Right, mas isso não significa que é apontar o dedo no mapa e colocar o pé na estrada. Existe uma lista de coisas que tem que ser levada em consideração antes de fazer um movimento.

Por exemplo, como eu não tenho nacionalidade europeia, mas meu marido sim, ele tem que primeiro ter um emprego para que eu peça a autorização de residência. E para eu pedir a autorização de residência, tenho que preencher alguns pré-requisitos que variam de país para país.

E além desse pequeno importantíssimo detalhe, existe uma série de coisas que se deve pesquisar antes de decidir mudar de país. Como estamos neste ritmo de ter que estar preparado para onde o vento nos levar, já faço pesquisas de coisas específicas, e certamente não são iguais para todos os países do território da UE.

Não vou fazer a pesquisa pra todos e colocar mastigadinho aqui, porque é impossível fazer isso sem estar no lugar e confirmar se é isso mesmo (nada me irrita mais que informação incorreta). Mas vou deixar aqui um check list pra que você faça a pesquisa no país que te interessar, caso esteja nos seus planos uma mudança.

  1. Moradia: pesquise primeiro por “melhores regiões para se morar em (…)” e a partir daí pesquisa “renting in (…)” e veja o tipo de habitação disponível. Apartamentos, casas flats, mobiliado, não mobiliado, distância do centro/local de trabalho, acesso a transportes.
  2. Condições para alugar: é preciso fiador? Aceita-se carta de recomendação do senhorio anterior? Carta do trabalho confirmando que tem emprego? Contrato de trabalho? Comprovativo do Imposto de Renda?
  3. Custos associados a moradia: no Rio de Janeiro temos o fatídico condomínio, que é um valor alto no custo de moradia. E também paga-se o IPTU fracionado. Em Portugal não há condomínio para quem aluga (geralmente é super baratinho e já está embutido no aluguel) e o IMI é por conta do proprietário. Na Inglaterra paga-se o city council, que é um imposto para quem está habitando o imóvel. Nele está incluído a taxa de coleta do lixo, limpeza da rua, iluminação pública. Além disso paga-se também a taxa de TV, que é um valor anual para quem tem TV em casa.
    Resumindo: pesquisar se tem custo de condomínio, imposto de moradia, taxa de moradia, taxa de coleta de lixo, taxa de TV.
  4. Transporte: carro ou transporte público? Dependendo da cidade que pretende morar, ou da distância da sua futura casa para a cidade/local de trabalho, tens que saber de antemão a melhor forma de locomoção e os custos associados a isso. Em Lisboa eu usava muito transporte público, mas também tínhamos carro. O seguro em Portugal é barato em comparação a média da UE (mas alto em comparação com o salário mínimo português), o valor do carro não é uma pechicha, mas é mais barato que no Brasil, mais caro que no UK. O seguro no UK é absurdo nos primeiros anos, mas não baixa das £500 mesmo depois de anos de bom histórico. Os transportes públicos em Lisboa nos levavam a todos os lados (além de serem excelentes – e há quem reclame!), em Londres eu nem senti falta de carro quando estive a passeio e morando em Manchester só senti falta do carro uma ou duas vezes. Faça uma pesquisa no google maps sobre a distância de lugares de interesse (escola, mercado, cinema, trabalho, hospitais, etc) e tente identificar a melhor opção pra transporte e o que cabe dentro do orçamento.
  5. Saúde: pública ou privada? O que o país oferece? No UK toda a saúde é pública, basta residir legalmente para se inscrever num centro de saúde, e a dedicação às crianças menores de 5 anos é algo fora do comum; Em Portugal existem as duas vertentes e os seguros de saúde não são tão caros, depende do que cabe no seu bolso e do que vc considera plausível. Na Irlanda toda a saúde é privada, mas vc tem que pagar um seguro de saúde obrigatório pra usar o seguro de saúde.
  6. Acesso a medicamentos: No UK até pra comprar anticoncepcional é necessário apresentar prescrição médica (emitida pelo NHS). Meu marido tem que tomar Levotiroxina Sódica todos os dias, pro resto da vida (por causa do câncer da tiróide) e aqui não vendem sem prescrição, mesmo sendo um medicamento inofensivo. Outros remédios como paracetamol, ibuprofeno vende-se até no supermercado, nas prateleiras. Em Portugal é mais fácil pra algumas coisas (anticoncepcional eu sempre comprei sem prescrição), mas alguns é mais restrito. No Brasil só tarja preta e alguns tarja vermelha precisa de receita. Então, se você usa anticoncepcional, é melhor se informar antes e, se for o caso, levar uma reserva com você, porque nem sempre medicamentos passam pelo controle postal. Por via das dúvidas, prepare um kit de primeiros socorros.
  7. Educação infantil: tem crianças? Qual a idade? Procure saber qual é a idade do ensino obrigatório. Em Portugal é aos 6 anos, no UK é aos 4 anos (inclusive tem fiscalização em cima). Se informe sobre quando tem que fazer a inscrição nas escolas, se tem custos, qual o critério pra inscrição em determinada instituição, a data limite para inscrição, etc. Lembre-se que no hemisfério norte o ano letivo começa em Setembro e termina em Julho do ano seguinte.
  8. Telecomunicações: preço dos serviços móveis, qual a melhor operadora, se é CDMA ou GSM (na Europa quase não tem mais CDMA, mas nos EUA ainda existe com uma certa força), o melhor tarifário, o custo dos serviços fixos (TV+Fone+Net), período de fidelização e respectiva multa rescisória, etc.
  9. Frete da mudança: se a casa não tiver mobília, compensa trazer a sua? Alguns países da Europa tem uma rede de mobiliário e decoração chamada IKEA. Relacione o que você levaria na mudança, veja o preço do mesmo no IKEA e faça as contas. Vale mais a pena vender o que se tem e comprar de novo? O frete + valor já investido em itens de casa (e as miudezas, porque no final o valor de itens de cama mesa e banho e utensílios de cozinha fica sempre maior do que imaginamos) compensa?
  10. Despesas de mercado. Vá ao google, pesquise os principais supermercados da cidade que vc vai mudar, entra no site deles e simule uma compra de semana. Alguns não tem loja online, mas tem o folheto de promoções. Faça uma lista e vá anotando. Eu uso o excel, coloco uma coluna com a moeda local, procuro a cotação no google , faço conversão e comparo com o meu custo atual. É um exercício não muito preciso (porque sempre tem as promoções, produtos que passamos a conhecer e as adaptações alimentares que são inevitáveis), mas dá pra se ter uma noção do impacto que a alimentação terá no orçamento.

Planejar com calma. Esse é o segredo para que sua mudança seja um sucesso. Levei dois anos pra colocar em prática a mudança do Rio para Lisboa. Era tanta gente preocupada com o que estávamos fazendo que até quando fui conversar com meu gerente na época, sobre a minha demissão, ele ficou preocupado em eu estar metendo os pés pelas mãos e me fez uma série de perguntas. Mas para alívio dele, eu tinha todas as respostas na ponta da língua. Faltava a bola de cristal pra saber o que nos esperava, mas preparada pra enfrentar o que viesse, com certeza eu estava.

 

Faltam 4 dias

Tudo à minha volta está uma confusão. Minha casa quase sem mobília, tudo o que havia dentro delas em sacos, caixas ou simplesmente empilhado num canto, meu filho sem rotina nenhuma, minha filha tentando ter uma rotina, horas a menos de sono e 4 dias sem marido.

Ele foi pra Manchester pra pegar as chaves de casa e pra comprar a mobília ultra necessária pra chegarmos lá. Basicamente, o quarto das crianças, um sofá e um colchão pra dormirmos.

Depois que o Marvin foi embora, conseguimos o deal de uma casa em apenas 4 dias. Ou seja, o deixámos na casa do criador no Domingo e tivemos a nossa proposta aprovada numa 5a feira. Mais uns 10 dias de burocracia e pronto! Chaves liberadas.

Faltam 4 dias pra mudarmos todos nós pra casa nova. Cidade nova. País novo.

Sei que vai ser maravilhoso, não tem como não ser. Adoro a Inglaterra, as pessoas, a diversidade. Acho que Manchester vai me surpreender positivamente. Sei que não é como Londres, mas é mais cidade (em termos de desenvolvimento e acesso a informação) que Lisboa.

E mesmo assim, mesmo eu estando super ansiosa pra conhecer minha nova vida, me dá um apertozinho lá no fundo porque não vou ter nem a minha Luka e nem o meu Marvs comigo nessa mudança.

Talvez tenha sido por isso que Deus me tirou a Luka. E por sorte o Marvin ainda era novo o suficiente pra se apaixonar por outra família que lhe desse muito amor e que pudesse ficar com ele pra sempre.

Sinto falta dos meus cães. Vou ter tanta coisa pra fazer no início que não vou ter tempo pra sofrer por isso, mas quando as coisas entrarem nos eixos, acho que vai me dar um ligeiro vazio…

De Portugal para a Inglaterra

Como disse antes, amo Lisboa. Sou muito feliz aqui.
Mas infelizmente, a economia e a política do país hoje não está favorável para que eu consiga ter o padrão de vida que almejo para os meus filhos.

E devido a alguns acontecimentos recentes no mercado de trabalho do meu marido, a oferta de trabalho tem vindo a cair e chegou num ponto que não vai dar para sermos auto sustentáveis a curto prazo.

Acho que a crise em Portugal estagnou, mas ainda estamos em recessão. Vai levar alguns anos para que voltemos a crescer, e até isso acontecer, não vejo lógica em continuar aqui. Emocionalmente eu não tirava mais o pé daqui por nada, mas pensando bem…

Eu estou afastada do mercado de trabalho e assim estou desde o 4º mês de gravidez da Olivia. Quero voltar em breve, mas a matemática não tem feito muito sentido: para eu trabalhar, preciso colocar minha filha na creche. O ordenado que ultimamente estão oferecendo não está muito acima do mínimo (na verdade, a maioria paga o mínimo e ponto final), e o valor da mensalidade da creche é quase o ordenado mínimo.

Portanto, trabalhar para ficar na mesma não compensa. Lógico que seria ótimo pra Olivia estar num ambiente com outras crianças, pra socializar, mas temos que pensar de forma mais prática.

Então, aproveitando as vantagens de existir o Espaço Economico Europeu (EEA), decidimos hoje imigrar mais uma vez. Não voltaríamos para o Rio, porque em termos financeiros ia ser pior do que continuar aqui.

Pensamos e ponderamos: know how, idiomas que falamos, mercado de trabalho, educação, custo médio moradia, saúde, segurança, custo de vida (manutenção casa e alimentação) e chegamos a conclusão de que Manchester é o nosso próximo porto.

Ainda estou pesquisando sobre tudo e mais alguma coisa, afinal, já estive 3 vezes em Londres, mas nunca em Manchester, e o mais sensato que uma pessoa que quer imigrar deve fazer é pesquisar a respeito antes de sequer começar a fazer as malas.

A nossa maior preocupação é a adaptação do nosso filho, e tenho recorrido a alguns blogs pra ter informações.

Conforme eu conseguir respostas sobre a burocracia para imigrar, partilho por aqui.

Por agora, eu digo apenas que vou ter imensas saudades de Lisboa. Estará sempre na minha vida e no meu coração.

Enquanto isso, na bagagem…

Tive dois anos de planjamento e fiz minhas malas dois dias antes da viagem. Se eu levar em consideração que para a minha lua de mel eu fiz a mala no dia da viagem e o vôo saía às 17:50, posso dizer que até me atencipei! Mas, era a viagem da minha vida, o dia que eu deixaria o Brasil pra trás e iniciaria uma nova vida em Lisboa. Continue a ler Enquanto isso, na bagagem…